terça-feira, 8 de janeiro de 2013

(insira seu titulo aqui)



Todos os dias, quando saio da empresa onde trabalho, passo em frente a uma casa de portão negro. Essa casa jamais me chamaria atenção, simplesmente por ser comum, a não ser pelo fato de ter um morador um tanto peculiar (posso chamar assim, peculiar?), vulgo homem-macaco. Ele é chamado assim pelos meus colegas de trabalho, e sempre escuto falar dele; Isto porque quando passamos em frente a sua casa, ele esta sempre pendurado no portão, com os pés nas grandes.
Não pense vocês que ele está na flor da idade. Acredito que beire lá seus 50 anos, vive barbudo e é cheio de fios brancos. No começo, eu pensei que estivesse concertando algo no portão. Com o passar dos dias percebi que ele ficava olhando pra rua, atônito, e que o cadeado passava no portão como se fossem grades de um xelindró. 
As meninas que conheço, jovens paulistas, morrem de medo dos perigos da avenida, já que o lugar que eu trabalho é um tanto quanto deserto; essas tem um receio que ele seja como um"louco agressivo", que ataca as pessoas na rua.
 Quando passo pelo portão, eu vejo olhos tristes, como se quisessem ser libertados da loucura ou dos cadeados? não sei. Eu sei que nunca tive medo, pode parecer clichê, mais os olhos dele: tão negros, tão tristes.
Acontece que, estava fazendo o percurso da volta pra casa, quando me deparei com a cena: ele estava, no meio da rua, tentando parar um ônibus com seu andador. Ora, faltava muito para que eu chegasse (mesmo correndo) até ele, mesmo assim tentei, corri, corri muito; Parecia conseguir ver, mesmo que ele estivesse de costas, os olhos negros dele, como quem pedisse socorro. Felizmente o motorista o desviou, e quando cheguei mais próximo reparei uma outra moradora da casa o puxando para dentro, e mal escutei o que ela parecia falar, só o que minha percepção conseguia ver era que ele estava chorando. Foi um reboliço que nem eu mesmo acreditei, porque ninguém tentou fazer nada, a não ser a moradora, porém todos olhavam de longe.
Pensei muito na volta pra casa. Como as pessoas podiam ter medo de um homem naquela situação? Talvez seja isso: as pessoas tem medo do desconhecido, medo de pessoas "diferentes". Só mesmo quem pode olhar através dos olhos é que não os tem, e assim nascem as grandes amizades. 
E foi assim que, depois de três meses, ontem nós trocamos nossas primeiras palavras. Eu passava olhando para o lado esquerdo da rua, esperando ve-lo, quando pra minha surpresa, ele disse: 
"Moça, que horas são?"
e eu, quase que gaguejei, pois ele interrompeu a minha observação, que eu fazia todos os dias, a minha observação dele mesmo.
"São 16:10."
"Hm. Marquei com a minha fisioterapeuta as 14. Acho que não preciso mais ficar neste portão, porque ela não vem mais."
Apenas sorri, e continuei o percurso. Hoje ele não estava mais no portão.

Sim, está sem titulo. Porque tentei arrumar uma imagem adequada, e não achei, por isso coloquei essa ai. Se puder, insira o seu titulo, mesmo que mentalmente.

14 comentários:

  1. Eu tive uma sensação estranha (e boa) lendo o seu texto, sabe? Foi uma coisa meio tapa na cara misturada de compaixão pelo senhorzinho da história.

    Achei muito intenso quando você escreveu que " Talvez seja isso: as pessoas tem medo do desconhecido, medo de pessoas "diferentes". Só mesmo quem pode olhar através dos olhos é que não os tem". E acho que você teve todas as razões do mundo para escrever isso. As pessoas super tem medo do desconhecido e você foi tão além disso. Achei bonito e sincero, de verdade!

    O mundo precisa de mais pessoas como você!

    Beijo :)

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  2. A sensação ao ler o texto me fez pensar,as vezes julgamos uma pessoa sem saber o que ela esconde na sua essência.
    Parabéns pela história e pela visita,amei seu cantinho.Estou te seguindo também,quando der de uma passadinha no meu Blog também e me deixe seu comentário.
    Beijos,sucesso e quero saber mais dessas suas conversas com ele. :)

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  3. Sabe, eu gosto muito de SP, mas uma das coisas que me assustam um pouco dessa cidade é a distancia que as pessoas tem que ter uma das outras para se sentirem seguras, física e emocionalmente. Fiquei triste ao ler que ninguém tentou fazer nada pelo senhor na rua, e que ele parecia chorar...
    às vezes precisamos tirar nossa armadura para enxergar o que realmente precisamos ver.

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  4. Poxa, seu texto é de arrepiar. Pensar no "homem-macaco" provoca calafrios, não porque este causa medo, mas por também fazer analogia ao que acontece com as pessoas todos os dias. Não é preciso nem haver grades ou problemas físico/mentais para sofrer discriminação. Basta não estar de acordo com o padrão estabelecido por sabe-se lá quem. As pessoas que o temem parecem se iludir pensando no quanto estão se preservando ao fugir dele quando, na verdade, estão apenas omitindo socorro. Para se pensar, gostei muito e a falta de título não trouxe nenhum prejuízo!

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  5. Haha, claro que somos :b
    Gostei do seu blog, vou seguir :)

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  6. Quantas vezes isso acontece de pegarmos a primeira olhada e fazermos dela a idéia final sobre alguém ou algo...Lindo texto!

    beijos,chica

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  7. No começo do texto achei um pouco sombrio , porém no decorrer do mesmo fui percebendo aos poucos os valores das palavras e o sentido delas.
    Acho que muita gente no mundo deveria ler esse texto, sabe?
    Uma dúvida, é apenas uma historia?
    Obrigada pela visita em meu blog ^^
    Abraços ><
    abrindoportasparaofuturo.blogspot.com.b

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  8. Parei para pensar... As vezes não temos tempo, as vezes não temos vontade ou coragem mas, poderia não ser um "homem macaco" poderia ser uma pessoa acoada precisando de uma palavra amiga, nada muito impactante, só uma pessoa andando pelos cantos porém, dificilmente eu ou todo o resto sairia da sua zona de conforto para se evolver com um desconhecido. Este homem te impressionou e teve sorte por isso, se não estivesse no portão mas sim, trancado em algum quarto nunca teria te sensibilizado. Acho que ja escrevi demais, no fim das contas não da para ajudar todo mundo mas, é lindo se sentir bem por se importar com pelo menos uma.

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  9. Podemos olhar mil vezes para uma cena, uma pessoa, qualquer coisa, e não ter ideia do que aquilo significa. Podemos ter mi, ideias na verdade, mas a gente sempre acaba surpreendido. Incrível, né? Incrível como algumas pessoas tem o poder de pré-julgar aquilo que não conhecem, dizendo que é algo ruim, quando na verdade só é triste. Às vezes eles só querem conversar, mas não têm com quem fazer isso =(
    Beijos.

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  10. Juro que quando eu olhei o titulo fiquei meio na duvida.
    Não sei como me senti lendo esse texto. Meio sei lá sabe?!
    Você deve ter tido todas as escolhas e razões para escrever ele, muiat sinceridade.

    UOU! Parte final postada no blog, você não queria ver?
    Beijões, @esteffanifontes - tt
    Aos Dezesseis Anos - aosdezesseisanos.blogspot.com.br

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    1. Juro que fiquei na dúvida se isso é c+c ou nao

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  11. Julgar um livro pela capa na maioria das vezes n da certo . As pessoas são assim mesmo repugnam o diferente . Sorte o mundo ainda conter pessoas que gostam desse diferente e acham bom . Adorei o seu conto , belo texto . Ah , o nome do seu blog me lembra o livro da Clarice Lispector , foi dele que tirou inspiração para o título do blog ?HAHAHHA Obrigada pela visita , volte sempre que quiser ! beijos ;*
    http://driellysantos.blogspot.com.br

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  12. Oi adorei aqui ^^ obrigada por passar lá no meu blog :) já estou seguindo, se vc quiser retribuir vou ficar feliz :)

    beijos//em pleno aos quinze

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  13. Vim à net para encontrar novos amigos e ao mesmo tempo divulgar meu blog, encontrei o seu blog, e estive a ver algumas postagens e achei o seu blog muito bom, tenho de lhe dar os parabéns, pois é um blog que dá sempre vontade de vir aqui mais vezes.
    O meu blog é o Peregrino E Servo, se tiver tempo ou se desejar pode fazer-lhe uma visita e se gostar faça o sentir no seu coração, saiba porém que nunca deixei alguém ficar mal.
    Desejo paz e saúde para si e para o seu lar.
    Sou António Batalha.

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Não gaste teclado: SE NÃO LEU, NÃO COMENTE. Também não tente me enganar: Eu percebo quando a pessoa não leu nada. (Aliás, tem gente que não lê nem isso aqui).