terça-feira, 22 de junho de 2010

+ Marcas de infancia da senhorita



Quando eu era criança, não sabia o valor do dinheiro. Sabe aquela velha mania de achar que duas moedas de 25 cent. valem mais que uma de 1 Real, tudo porque 2 é maior que 1? Todos nós pensamos assim um dia, quem diz que não? Enfim, eu tinha lá os meus 7 aninhos, nem mais nem menos. Era completamente inocente.
Bom, todos os dias eu ia para a escola, por volta da minha 1° série, o ano em que tudo começa. Meus pais, não eram muito bem financeiramente, porém, nunca gostei de lancheira, por isto ao invés de lanchinho eu, criança inocente e feliz, levava todos os dias uma nota, verdinha, de 1 real apenas.
Não estranhem este fato, queridos leitores. Sim, as notas de 1 real eram tão comuns quanto água, embora hoje elas não existam mais. Também não se assustem por tão pouco, acontece que antes, tudo era mais barato. O salgadinho custava 50cent. (embora eu nunca ter gostado de salgadinho), e o salgado 1 real (e eu amava salgado). Também tinha aqueles pirulitos mania de todo mundo, que era meio molinho, de morango, que se titulava "moranguete", logo, hoje só existe mesmo o chocolate (existe o chocolate moranguete ainda?).
Portanto, todos os dias na hora do "recreio", eu, menininha de cabelos longos negros e encaracolados, ia até a cantina da escola, e comprava um salgado, muito gostoso por sinal, de frango com catupiri (coisa que ainda gosto até hoje).
Isso se repetiu por vários meses, naquele começo de 1999, até que surgiu ela: Uma menina alta, de cabelos longos e negros, olhos verdes, com o corpo já completamente formado, que estava na quarta-série. Sonho de todas as menininhas pequenas, é falar com alguma garota da quarta-série.  A quarta-série... ah! Era o ano em que, pensava eu, todos ganham mesada, fazem provas, as meninas usam sutien e os garotos saem sozinhos sem precisa da ajuda de sua mãe para atravessar a rua. Pois bem, aquela garota, nominada "Paloma" (sim, minha memória é boa), falou comigo ao me ver saindo da cantina num dia frio de março. Lembro-me que quase não tinha amigas, a não ser uma prima, que andava comigo desde que nasci. Andava toda caidinha, sempre fui uma criança bem magra, e no frio, minha mãe tinha uma maniazinha de avó, de me encher de blusas e meias, cachecóis e tocas. Rapidamente, larguei minha prima e falei com ela... me senti tão importante aquele dia. Minha almazinha de criança, toda inocente, pensava o quanto ela era bonita e eu queria ser como ela.
"Me espere aqui amanhã de manhãzinha quando você chegar, que eu vou te mostrar uma coisa"- Ela disse. No outro dia, lá estava eu, com meu dinheirinho, muito alegre. A menina disse: você gosta de ler? Na minha epoca era tão comum, as meninas liam. Eu lia muito, aprendi a ler antes do tempo, logo quando tinha 5 aninhos eu lia desde rotulos de shampoo até livrinhos de contos da Disney. Meu sonho, quando eu era pequena, era ler aquele livro: "Reinações de Narizinho" de Monteiro Lobato. Achava o máximo ser grande, e poder ler aquele livro grosso (tá, não tão grosso assim, mas pô, eu gostava de ler os contos da Disney! Para mim Monteiro Lobato era uma bíblia!). Enfim, "Paloma" prometeu me emprestar mas, com a condição de que fossemos à cantina e trocassemos o meu dinheirinho, minha notinha, por duas moedas. Eu perguntei: Dá para fazer isso? E ela respondeu : "É claro que sim!".
Fomos até a cantina, e trocamos meu dinheiro. Eu , inocente , acabei ficando apenas com 50 cent. e a metade para ela. Descobri que duas moedas não valiam tanto assim, porque afinal... com 50 cent só comprava-se pirulitos! Pois bem, minha prima observava que todos os dias eu ficava sem meu dinheirinho. O livro já estava devolvido, e por sinal, foi devolvido no outro dia, quando a garota alegou que ela fez o emprestimo de UM DIA apenas. Todos os dias, eu fazia a mesma coisa : trocava meu dinheirinho.
Tá, a esta hora, você deve estar pensando que era uma criança burra. Não me considerava burra, apenas um tanto quanto influenciável.Ser "popular" era tão emocionante, os amigos dela falavam comigo, e ela era da quarta-série!
Pois bem, um dia a história acabou. Minha prima contou tudo o que estava acontecendo para o meu pai, que rapidamente, falou com a mãe da tal da Paloma e fez ela se afastar de mim. Ele ainda me obrigou a falar com ela , e dizer que EU não queria mais. Aprendi muito aquele dia, aprendi a ter coragem de dizer não. Meus sete anos me ensinaram, então, duas coisas muito importantes: Ser popular e bonito não é tão importante assim. E dinheiro vale muito quando se está com fome e enjoado de comer pirulitos de morango.
Hoje, eu vejo que esta história me faz uma alusão muito grande ao que passo agora: Enquanto houver inocente, vai ter sempre uma "Paloma" tentando se aproveitar deles. É claro, que hoje, claros leitores, eu não sou tão inocente assim.Acho que essas coisas mesmo, que nos fazem aprender desde pequenos, o homem é frio, cruel e só.

11 comentários:

  1. Como eu sempre digo, pode dar boi não

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  2. Viu só amada,ñ é só eu q tenho histórias para contar rs.
    Ainda bem q acabou tudo bem,sua jovem amiga adorava mesmo era te estorquir.
    Mas acabou,passou como tudo nessa vida.
    Beijokas minha flor.

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  3. KKKKKK, é tão bom ser criança e ingênua, mas uma coisa você me fez refletir no seu texto, beleza e popularidade não são TUDO, adorei sua história.

    bjs :*

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  4. Querida
    A ingenuidade é o que há de mais lindo numa criança...
    O tempo, as situações e a pp vida vão fazendo com que guardemos este sentimento lá no fundinho de nossos corações...Mas tem dias, que o melhor é tirá-lo do baú e reviver, pois ser cça é tudo de bom....
    Laurinha

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  5. "Errinhos" ingênuos nos acrescentam tanta coisa! Essa idade é mágica mesmo.
    Belo texto.

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  6. Inocência é bom quando se é criança, mas tem sempre alguém que quer se aproveitar... desde cedo eu perdi isso, infelizmente. queria que minha infância tivesse durado mais. que eu tivesse sido mais criança, coisa que me fora quase "roubada". Beijos querida, ótimo texto.

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  7. Você contou uma história real demonstrada filosoficamente ao mundo em que vivemos, isto é, dos mais espertos. Ainda consta que os maiores ainda dominam, haja vista o sistema financeiro em que vivemos. Gostei muito de ler suas palavras verídicas

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  8. Hummm, q. estória interessante, lição de vida mesmo. Um dia contarei a minha a respeito de livros tambem. Amei . bjus nelma

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  9. Oii
    Tem um selo exclusivo pra vc lá no meu blog ;D
    http://belucciecia.blogspot.com/

    Beeijos'

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  10. HAUHEUAHAEU aaah tadinha! eu tambem tenho umas histórias parecidas, sempre chegavam uns meninos mais velhos e me ameaçavam se eu não desse meu lanche :( tristeza!

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Não gaste teclado: SE NÃO LEU, NÃO COMENTE. Também não tente me enganar: Eu percebo quando a pessoa não leu nada. (Aliás, tem gente que não lê nem isso aqui).