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sexta-feira, 15 de março de 2013

Ela, Manuela - O FINAL


Nota da blogueira: ah, finalmente acabei de postar a historia. Após o fim de semana volto a postar novamente. Pretendo escrever outras webs, mas vai ser diferente, porque essa escrevi quando tinha 14 (a maior parte, inclusive esse final) e ficou uma coisa meio romantica demais, tem até um pessoal que reclamou dos personagens perfeitos e tudo mais, mas não estranhem gente, não queria editar muito a historia pra ser engenuazinha mesmo, igual quando tinha 14. Obrigado pelos elogios e todos que acompanharam. Beijo

Abri os olhos e enxerguei tudo branco. Já tinha começado a achar que tivesse morrido, que Jorge talvez tivesse voltado e terminado o serviço que começou, quando a vista começou a desembaçar devagar, e fui reconhecendo uma enfermeira, uma televisão, uma cama, enfim, um hospital (o mesmo que fui visitar o Cauã, da outra vez). Minha primeira reação foi checar minha perna, as duas, pra ver se ainda estavam lá. Respirei aliviada ao ver apenas alguns pontos, o que não geraria uma grande cicatriz e felizmente conseguia mexer ambas as pernas.
- Bom dia! como se sente Manu? - a enfermeira dos cabelos loiros e presos disse, gentilmente.
Bom dia? pensei. Será que estou aqui somente a algumas horas? Olhei o relógio na cabeceira do quarto e vi que eram 6 da manhã, o que me deixou intrigada, porque tudo aquilo tinha acontecido mais ou menos as 10. Foi então que me ocorreu: dormi por um dia todo, perdi várias horas naquela cama.
- Sim... onde estão meus pais? - perguntei, meio tonta.
- Seus pais disseram que iam buscar alguma coisa no supermercado e voltavam pra te buscar. Você vai pra casa jajá...
- Mas porque eu dormi tanto? - quis saber, afinal não estava sentindo nada de dor, e se fosse só por causa daqueles pontinhos, já era pra ter acordado faz tempo.
- Bom, você teve um desmaio causado pelo pânico. Provavelmente a situação que você passou foi muito estressante, e você se assustou. Dormiu bastante por causa dos remédios pra dor, mas já está nova em folha, acredito que os pontos não vão deixar nenhuma cicatriz. - Ela sorriu, examinando minha perna, e eu acabei respirando fundo pela primeira vez. - Não quer saber sobre o seu namorado?
Pensei antes de responder pois não sabia se ela estava falando do idiota que me deu uma facada, ou do lindo que talvez tenha me salvado. É claro que só podia ser o Cauã, não é possível que ela fosse tão inconveniente.
- Ele está ai? - quis saber.
- Está sim. Vou dizer que você acordou.
Minutos depois lá estava Cauã, que já entrou sorrindo no quarto, muito feliz em me ver.
Ganhei milhões de beijos e de "que bom que você está bem" e até uma caixa de chocolate.
- O que você disse para o meu pai... é. Você sabe. - perguntei, afinal, ciumento do jeito que era meu pai ia achar bem estranho eu ter sido encontrada nua e com dois homens brigando no meu apartamento.
- A verdade, ué. Gosto muito do seu pai e ele ficou BEM, BEM chateado, mas vai superar, porque o ódio dele pelo almofadinha é maior - Cauã riu, e eu não consegui segurar a risada também. - Bem, ele já deveria ter previsto que qualquer negão feio como eu se apaixonaria pela filha morena gata dele. Ah, o almofadinha, ele está preso, mas eu também estou meio encrencado.
- O que você fez? - perguntei, com os olhos arregalados
- Digamos que o almofadinha contratou um advogado e me processou por eu ter "exagerado". - ele riu.
- Como é exagerar, Cauã? o que você fez?
- Bom, eu bati nele. Mas bati bastante mesmo. Acho que exagerei um pouco, o bastante pra sair do "legitima defesa" e ir pro lado pessoal, sabe? De qualquer forma, seu pai disse que vai bancar meu advogado então, talvez eu não tenha que pagar uns serviços comunitários.
- Mas você pode alegar que ele estava tentando te matar, não é tão grave assim.
- Bom, bati nele na delegacia também. Quase fui preso, e ele já estava desarmado. E antes dele ser algemado também - Ele continuou rindo.
- E você acha bonito, isso?
- Não. Mas se eu não batesse quando tive chance, quem ia fazer isso por mim? Só de ver você nessa cama com esses pontos nessa coxa linda, dá vontade de bater de novo, só que com mais raiva.
Eu ri  mas percebi que ele não foi só quem bateu, pois Cauã estava com uns arranhões horríveis nos braços e o olho meio roxo.
Bom, eu acabei me encontrando com Jorge uma vez só quando fui prestar depoimento do que verdadeiramente tinha ocorrido, e ele estava bem, bem machucado. Também acho que Cauã exagerou, e por isso alguns meses depois o advogado do meu pai não foi páreo (afinal a família de Jorge era muito bem de vida) e Cauã teve que cumprir 2 horas semanais em uma obra pública.
Voltamos a França uma semana depois do ocorrido, minha família inteira, para que eu pudesse fechar o contrato de aluguel, mas levei todo mundo para que pudéssemos passear. Visitar a torre, andar pelas ruas tranquilamente e pela primeira vez a França não me deixou com só lembranças ruins. Cauã e Mari foram conosco, e agora ela era minha cunhada, o que nos deixou mais próximas e não fugimos das compras, claro.
Se eu dissesse a vocês que tudo que aconteceu foi lindo e maravilhoso, estaria mentindo. A perca de Karol ainda mexe muito comigo, e com certeza daria tudo por ela de volta. Mas voltar para a minha família e ter amigos e um namorado do meu lado foi uma dádiva, e é claro que eu estou sabendo aproveitar isso muito bem.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Ela, Manuela XI


Enquanto escutava os passos aumentarem, fiquei olhando ansiosa para a porta, sorrindo, enrolada nos cobertores esperando ver o sorriso familiar de Cauã na porta do meu quarto. Aquela noite anterior era um grande erro, mas tudo aconteceu tão rápido, tão rápido quanto um assalto. Não era impuro, não podia ser ruim aquilo que estávamos fazendo. Porém meu sorriso logo se transformou em seriedade, quando percebi que não era ele que estava na porta, e sim Jorge. Meu coração disparou, estava a ponto de sair pela boca. Ele ligou a luz do meu quarto e começou a gritar de prontidão, histérico
- QUEM ERA AQUELE QUE SAIU DO SEU APARTAMENTO, MANUELA?
Eu me encolhi e me enrolei ainda mais nos lençóis para não correr o risco deles caírem do meu corpo,  e quanto mais eu ia para trás, mas ele dava um passo para frente. Gritava para ele para que nós sentássemos e conversássemos  mas ele parecia não ouvir nada do que eu estava dizendo, um Jorge totalmente diferente daquele que eu um dia conheci. Achei que a situação não poderia ficar pior quando percebi que na mão de Jorge estava a faca do meu pai, uma que nós compramos em um quiosque, que ele tanto havia gostado.  Me desesperei com a cena e me encolhia ainda mais, tentei sair da cama e até cheguei a calcular a fuga para a porta do quarto, traçando uma rota em linha reta, mas vi que ele estava vindo na direção da unica saída possível. Desesperada, fiquei pensando onde estaria Cauã e porque eu burra, fui destrancar a porta.
- Calma, Jorge, nós podemos conversar
- CONVERSAR O QUE? NÃO TEM CONVERSA, QUERO SABER PORQUE ME TRAIU, AGORA.
- Eu não traí você, eu disse que queria terminar, você desligou e não me deu chance de me explicar;
- CALA A BOCA, ANDA, VOCÊ VAI FAZER O QUE EU MANDAR AGORA
- Não precisa fazer isso Jorge - comecei a chorar, de nervosa que eu estava, talvez - nós podemos resolver isso tranquilos
Continuei me afastando dele, mas é claro que não demorou muito para que ele conseguisse me agarrar pelo braço. Me jogou na cama com a maior violência do mundo, e nessa hora eu já estava gelada de medo do que ele ia fazer. 
Foi quando Cauã apareceu na porta. Jorge olhou para trás e quando viu Cauã, não pensou duas vezes, tamanho era seu ódio. Senti uma pressão enorme na perna e gritei de dor, mas consegui rolar da cama, caindo no tapete e batendo a cabeça no chão. Lembro de ter visto o tapete sujo de sangue, minha perna doía muito, tanto que eu não conseguia olhar para a cima e ver o que os dois estavam fazendo, estava muito preocupada com Cauã, mesmo sabendo que ele tinha mais força física que Jorge. Fiquei imaginando Cauã descuidando e levando uma facada de Jorge, e lembrando dele dizendo ontem a noite "vários caras morrem assim, sabia?". Lembrei dele me chamando de "morena" entre um sussurro e outro, fiquei pensando como eu tinha esquecido a dor para pensar nele e que talvez eu o amasse mesmo, pois estava morrendo de preocupação e culpa por faze-lo passar por isso, senti muita tontura, não estava enxergando nada, tudo embaçado, lutava pra permanecer acordada ou para olhar pra cima e finalmente saber o que estava acontecendo no quarto.
Mas o medo se apossou de mim e perdi a consciência, ou quase isso, pois ainda lembro de flashs de memória e alguns barulhos que identifiquei como gritos, socos, sirene de ambulância e rodinhas de uma maca de hospital.

terça-feira, 12 de março de 2013

Ela, Manuela X


Cauã me buscou as 19:00 horas no sábado. Nós fomos a um restaurante, não era lá muito chique, mas também não era ruim, na verdade era bastante aconchegante, bem agradável, daqueles que você não fica com vergonha de comer, mas também não passa fome porque tudo é muito gostoso. Em geral, apesar das discordâncias em relação ao cardápio e todas aquelas coisinhas bobas que eu e o Cauã costumamos brigar, ele foi super educado, e me deixou pedir o que eu quisesse, o que incluiu o sorvete de morango na sobremesa. Cauã estava extremamente bonito, bem elegante mesmo, o que me fez sentir-me até envergonhada por usar aquele velho vestido pretinho básico com um saltinho boneca, tudo muito simples.
Rolou um só beijo, que eu sei que é isso que vocês querem saber. Foi no meio da sobremesa, quando ele disse que meu vestido combinava com meus cabelos negros e que eu estava "especialmente linda". Mas não me julguem, afinal, que mulher resiste a um homem que elogia seu vestido?
Tentei ligar para o Jorge, quando pedi licença para o Cauã e fui ao banheiro. Minha esperança era que ele atendesse e a gente pudesse terminar direito, igual casais normais, mas ele não atendeu. Estava com medo ainda, porque não sou lá muito fã de trair um namorado, mas não queria trair nem um "meio-namorado" ainda mais por ele ser um possível doido psicopata. Mas era o que eu estava fazendo, e não sabia como parar. 
Chegamos no AP as 23:45, e foi uma noite maravilhosa, daquelas que você nunca esquece e quanto termina sobra vários flashs de memória, um mais lindo que o outro.
- Bom...acho que é isso. - Ele disse, sem jeito. - Boa noite. - Ele me deu um selinho e foi para o apartamento dele, que ficava no andar de cima.
Tirei os sapatos, prendi meu cabelo, e já ia me preparar para tomar um banho e deitar, quando ouvi a campainha. Meus pais não estavam em casa, como eu já havia mencionado, viajaram e meu irmão tinha me deixado um bilhete na geladeira dizendo que iria dormir com a namorada. Tentei afastar os pensamentos de que podia ser Jorge querendo me matar agora, e abri corajosa a porta.
- Cauã? o que está fazendo aqui? - Me assustei ao vê-lo novamente.
- É... achei um CD dos Beatles jogado lá em casa, na verdade, é... - Cauã parecia gaguejar entre uma palavra e outra - queria saber se a gente podia ouvir agora, quer dizer...
Puxei Cauã pelo braço e mostrei pra ele onde ficava o som. Ele continuava muito bonito, com a mesma roupa de antes, o que me fez pensar que ele nem sequer pensou em se trocar.
Sentei ao lado dele meio confusa. Não queria que rolasse nada entre a gente, mas estava tentada à aquilo. Ele colocou pra tocar "Oh, Darling", e aquilo foi um golpe muito sujo. Mas muito sujo mesmo, porque aquela é a música mais sexy do mundo, sinceramente.
- O que eu estou fazendo aqui, meu Deus. - Cauã disse olhando pra cima, parecia estar meio desnorteado, esquisito. - Você é um problemão, garota. Já vi vários caras morrendo assim, sabia?
- Assim como? Por namorados traídos?
- Sim. Basicamente. - Cauã olhou pra mim fixamente - Você é uma garota problema.
- Tenho certeza que sou. O que vamos fazer? - perguntei, colocando os pés sobre minha cama e deitando-me, me afastando da ponta e ficando o mais longe dele possível, temendo o pior. - não consigo controlar... estamos num beco sem saída, agora.
Ele me olhou, com os olhos de quem concorda, mas não respondeu. Ao invés disso, começou a me beijar, desde os pés. Ainda tentei pedir para que ele parasse, mas não saiu muita coisa, só alguns chiados, alguns cochichos. A música repetiu umas 15 vezes, assim, ao todo tempo em que passamos grudados. Não quero contar pra vocês como foi explicitamente, mas, posso dizer que lembro da mão dele no meu corpo todo, e dos beijos que do pé subiram até a boca devagar e de outras coisas mais que só de lembrar me arrepiam muito. E foi assim que passamos uma noite juntos, quer dizer, depois disso conversamos, nos beijamos um pouco mais, brigamos muito por causa do volume da tv (eu e Cauã e nossas brigas idiotas por nada) e caímos no sono. 
 Acordei no outro dia, mas Cauã não estava do meu lado. Procurei-o pela casa, porém não o encontrei. Destranquei a porta para que ele pudesse entrar sem que precisasse me acordar pra abrir a porta, imaginando que tinha ido buscar algo no seu apartamento. Voltei para a cama, pois estava nua e não dava para procura-lo lá fora, e é claro, estava com muito sono e preguiça. Ouvi barulho da porta abrindo, e passos na cozinha, em direção ao quarto. 
- Cauã? - gritei, mas ninguém respondeu. Enquanto isso os passos ficavam ainda mais fortes.

sábado, 9 de março de 2013

Ela, Manuela VIV


Me assustei ao chegar na faculdade e não ver Cauã. Ele não estava em lugar nenhum. Não queria ligar pra ele, fiquei com medo de deixar ele ainda mais "iludido", mesmo que aquilo não fosse uma ilusão. Sabe quando você quer não querendo ver alguém? Pois é, eu precisava ver Cauã, só pra garantir que ele ia me esperar, sabe? Eu precisava saber se tinha tempo o suficiente para terminar o lance com o Jorge e ainda ter Cauã a minha espera, mesmo que aquilo não fosse justo. Passou a primeira aula, e nada. A essa altura eu já estava pensando "muito bem, Manuela, levou perdido do menino que você acabou de beijar, parabéns". Foi então que no intervalo, o meu celular tocou... o numero era desconhecido.
- Oi, morena - Era a voz de Cauã, sem dúvida, mas estava uma voz cansada, e não fazia o tipo "rouco sexy" de sempre. Tinha acontecido alguma coisa - Será que poderia dizer ao seu pai que não dá para eu ir trabalhar amanhã? estou ligando do hospital.
- O que aconteceu?
- Tive uma crise de gastrite nervosa horrível. O médico disse que é melhor que eu fique em observação até amanhã de manhã, caso eu volte a passar mal...
- Quem está ai com você? - eu estava bem, bem preocupada.
- Bom, meus pais tem que trabalhar amanhã e minha irmã e eu tínhamos uma reunião importante, portanto vou ficar sozinho, mas é só essa noite, amanhã já vou para casa. Mari não pode ficar, para não desfalcar totalmente seu pai, sem Mari ficaria mais difícil ele se virar por lá. - Eu sabia bem o que ele queria dizer, porque meu pai falou dessa reunião por semanas, e a Mari era o braço direito do meu pai, trabalhando como sua assistente.
- Ok, eu vou passar a noite ai. Me passe o endereço, por favor.

Depois de avisar meus pais e convencer Cauã que não tinha problema nenhum, passei em casa, peguei roupa de dormir e escova de dentes e fui ao hospital. Ele estava deitado na cama com aquelas "camisolas" horríveis, e jogando um jogo no celular. A cama para acompanhante até que era gostosa, assim, razoável e o Cauã deveria ter um convênio muito bom, pois o quarto era muito aconchegante.
- Como você está? - perguntei.
- Ah, é a vida. As 15 você está beijando uma morena maravilhosa, e as 22 você está na cama de um hospital. Irônico né?
Eu tive que rir do senso de humor dele.
- Já que eu estou doente e você provavelmente deve estar morrendo de dózinha de mim... posso fazer uma pergunta?
- Começou com as suas bobagens já, né. - eu disse, meio nervosa - Fala, pode perguntar vai
- Qual é o real problema? Sério. Eu até posso entender se você disser que não gosta de mim, que me quer como amigo e tudo. Eu sei que eu não sou nenhum príncipe e que a gente briga sempre por qualquer bobagem, e também não faço o tipo atraente. Mas você não gosta do almofadinha, né?
- Não quero falar disso, Cauã.
- Qual é, Manu. Por favor. - ele apontou pro vidro de soro que estava perto da sua cama- eu sou um cara doente.
Eu ri. Cauã sempre me fazia rir quando eu queria muito ficar séria, e acho que toda mulher odeia quando os homens fazem isso. É um golpe mais sujo do que fazer cócegas.
- Não, sério, fala ai, vai. É pro seu bem... estou preocupado.

Ele insistiu tanto, que eu acabei contando tudo o que aconteceu. Sobre o diário, sobre as estranhas ligações de Jorge, sobre ele ter praticamente me ameaçado, dizendo que me levaria nem que fosse a força. Não sei explicar pra vocês porque me abri com ele, acho que pelo simples fato de que não queria começar outro relacionamento baseado em mentira e carência.
- E você agora está com medo? Olha, Manu, primeiro que se ele te ameaçou você deveria prestar queixa, ainda mais se tem provas no diário da Karol que ele é um doido. E outra, você está sempre cercada de pessoas, o que ele pode fazer?
- Não sei, só não queria ficar com ninguém sem ter resolvido isso primeiro...
- Você já resolveu. Você não disse que queria terminar? então, tá resolvido. Me dá uma chance, por favor... estou começando a achar que você não gosta de mim, e está inventando desculpas.  - Cauã pegou na minha mão e eu percebi que talvez eu fosse maluca, porque nenhuma mulher em sã consciência desprezaria ele. - Não quero forçar a barra, mas não consigo me afastar de você. Já tentei, juro. Você é uma garota problema, que tem um namorado almofadinha e eu tenho certeza que isso pode acabar mal, só que... - ele suspirou - não consigo ficar longe de você. Pronto, falei. Desisti de tentar.

O que me prendia a Jorge, afinal? Eu tinha absoluta certeza que o que eu senti por ele foi mera carência, e do jeito que ele estava adiando a nossa volta a França, talvez ele nunca voltasse. Todas as vezes que ele me ligava era a noite, sempre parecia estar com pressa pra sair e as vezes até escutava uma musica ensurdecedora de fundo. Quando eu ligo pra ele a tarde, ele nunca atende e se atende está com uma voz de sono, e em um mal humor terrível.
Talvez ele estivesse gostando de estar solteiro ou até pensando em ficar no Brasil e eu aqui, me descabelando e perdendo um tempo da minha vida com um cara que eu nem sei soletrar o sobrenome. 

Acabei por aceitar sair com o Cauã no sábado. Meu pai vai viajar a negócio e minha mãe vai com ele, e meu irmão não é o que eu chamo de "vigia", então eu ficaria tranquila quanto a horário pra voltar pra casa, e especialmente se o jorge me ligar neste meio tempo, porque meu pai não estaria em casa pra atender o telefone e soltar os palavrões que ele guardou a semana inteira especialmente pra Jorge.
Não demos mais nenhum beijo, no hospital. Só ficamos conversando a noite toda e brigando pra quem assistiria o canal que quisesse na tv, e ele acabou ganhando porque "era um cara doente". 
Então, sábado é o dia. Vou tentar viver um amor sem me preocupar com Jorge. Cansei de lutar contra o que eu sinto.



sexta-feira, 8 de março de 2013

Ela, Manuela VIII


Nota da blogueira: FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER! Vou postar todo dia um pouco da história, que já está acabando, mais porque eu não quero prolongar muito, e também porque eu quero que acabe logo pra eu poder voltar a conversar. Tem texto pra um mês aqui na minha cachola. Então quem não conseguiu ler todos é só ir passando as páginas aqui do blog que vai achar tudinho, um por um sem dificuldade, pois estão na sequencia. Beijo :*
*
Era só o Cauã. Que vergonha, meu Deus... além de ter gritado por nada, ainda fiz ele cair com a mão nos cacos de vidro do copo que meu pai quebrou, com o susto. Fui tentar ajuda-lo, mas só então percebi o pior: ainda estava de toalha.
- AI MEU DEUS, VOCÊ QUER ME MATAR DE SUSTO, COMO FOI QUE VOCÊ ENTROU?
- Calma, Manuela, foi sem querer, seu pai esqueceu de deixar a chave do apartamento e me encontrou na escada, pediu que eu viesse te trazer - Ele também tinha se assustado, fechando os olhos com as mãos, uma delas cheia de sangue - Perdão, eu não sabia que você estava no banho, seu pai não disse e...
- OK, Me desculpa ter gritado. Ai meu Deus sua mão está sangrando, sente ali, vou me trocar e já volto pra fazer um curativo, sente ali e não se mexa, ein.
Corri para me trocar. A mão do Cauã estava sangrando muito, então peguei qualquer pijama de calor (porque é mais fácil de vestir) que vi na frente e coloquei, depois pus a toalha na cabeça, pra secar o cabelo. Chamei ele no meu quarto e fui procurar a caixa de primeiros socorros do meu pai. Comecei limpando a mão dele e tive que tirar um caco de vidro do corte.
- Ai, ai... - ele gemeu de dor
- Calma, já estou limpando - Eu disse, concentrada. Aprendi a fazer curativos quando fui escoteira - caramba, você me deu um susto grande! desculpa, sério mesmo, estava com a cabeça em outro lugar.
- Eu também estou com a cabeça em outro lugar. - Ele disse - Seu namorado é um idiota, um perfeito imbecil. Olha só o que ele fez.
- Ele nem estava aqui, Cauã. Você fez sozinho, se não fosse tão desastrado.
- Se uma louca não saísse do banheiro chorando e gritando...
- Que assunto é esse agora? - eu revidei.
Ele olhou bem fixo pra mim e levantou minha cabeça, que estava com os olhos no curativo. Segurou meu braço para que eu parasse de enfaixar a sua mão e falou no meu ouvido:
- Ele só pode ser maluco. Você fica linda de toalha, com os cabelos molhados e mesmo com cara de quem estava chorando.

Sabe quando um garoto trai uma garota e depois diz pra ela : "PÔ AMOR, NÃO SEI COMO ISSO FOI ACONTECER", pois é, não sei como isso foi acontecer. Ele me beijou. Não consegui evitar isso, foi tipo, do nada. Nem consegui me conter. O pior é que eu gostei... gostei muito, como nunca havia gostado. Quando terminamos, só sobrou ele me olhando com uma cara de quem sabia que eu tinha me arrepiado toda. Que saco.
- Você precisa ir embora, Cauã - eu disse, meio nervosa - precisa ir.
- Não importa o que você diga, eu sei que você também quer, eu sei - ele começou a sorrir, quase rindo - não sei porque você me manda embora, mas você me quer, e vamos nos ver na faculdade hoje, você não vai fugir de mim. - ele soltou uma risadinha, francamente ele ficava lindo rindo nervoso. E foi sumindo do meu quarto, depois do meu apartamento, e por fim sumiu de vez.
Eu estava muito preocupada com o que Jorge podia fazer, e não podia me meter com Cauã antes de dar esse assunto por encerrado. Cauã foi embora, e eu fiquei. Que droga eu não consegui disfarçar. Pelo menos eu percebi que ele também gostou, quer dizer, que ele ficou nervoso. Apesar do medo de Jorge, eu não consegui parar de pensar naquele beijo até a noite.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Ela, Manuela VII


O diário de Karoline Veríssimo. Foi isso que eu achei na bolsa da DG, que pertencia à Karol, trouxe para o Brasil, sem querer.


"28 de Agosto de 2012.
(...)Estou ficando com um garoto. O nome dele é Jorge; ele disse para eu não contar a ninguém que estamos ficando ainda, por isso eu não disse nada a Manu. Estou tão feliz(...)

15 de Setembro de 2012
(...)Jorge está se comportando como um psicopata. Ele não me deixa contar para ninguém que estamos ficando, mas sente ciumes em tudo que eu faço. Hoje terminei com ele, mas ele disse que não vai me deixar em paz. Estou com medo, não posso contar a ninguém, a Manu ficaria muito preocupada (...)

22 de Dezembro de 2012
(...) Jorge começou a namorar com a Manu. Você acredita nisso, diário? O pior é que não posso nem contar nada a ela, pois ela ficaria brava comigo, e ela gosta tanto dele... Tenho medo do que possa acontecer.(...)"

Comecei a chorar desesperadamente ao ler esses trechos. Não sabia o que fazer. Será que Jorge estava comigo para provocar Karol? Será que ele era um psicopata? Meu Deus, estou namorando um cara que eu nem conheço, e que pode ser minha ruína. Peguei o telefone e disquei para Jorge.
- Alô? - ele atendeu, com uma voz de sono. Mas já eram 14 hrs da tarde.
- Jorge - eu disse, aos prantos - por favor, me diga a verdade: você ficou comigo só pra provocar minha irmã? porque não disse que vocês tinham ficado?
- Eiii, perai, gata - ele respondeu, meio de mau humor - Não disse porque não significou nada pra mim. Eu não quis a Karol e ela ficou bravinha, só isso.
- NÃO MINTA PRA MIM - Eu estava realmente histérica - ELA ESCREVEU NO DIÁRIO DELA QUE ELA TERMINOU COM VOCÊ.
- E VOCÊ NÃO GRITA COMIGO, SUA LOUCA. FODA-SE ESSA HISTÓRIA, TO DIZENDO QUE EU NÃO QUERO FALAR DISSO.
- Não dá mais, Jorge... - eu disse, por fim - quero terminar.
- HAHA, ATÉ PARECE. ESTAREI AÍ EM ALGUNS DIAS E VOCÊ VAI VOLTAR COMIGO PRA FRANÇA, POR BEM OU POR MAL.
Ele desligou. Senti medo, muito medo. E se Jorge fosse mesmo um louco? 
Eu não tinha amigos de verdade pra quem pudesse contar o que estava acontecendo. Tentei ligar pra Mari e ela não atendeu, e eu nem cogitei a possibilidade de ligar para o Cauã, porque por mais que eu gostasse dele (ou amasse, não sei se posso dizer assim)ele ainda era um imbecil em dar conselhos porque eu odiava lições de moral. Resolvi ir tomar um banho, para que meus pais não me vissem chorar. Entrei no chuveiro, minha mãe bateu na porta.
- Manu?
- Oi, mãe...
- Cuidado, eu e seu pai estamos saindo e ele quebrou um copo na cozinha, vê se não vai sair do banheiro descalça.
- Tá bom. 
Logo após a saída dos meus pais escutei passos na cozinha. Fiquei com medo.  Os passos pareciam estar indo para o meu quarto. Aumentavam cada vez mais, vindo em direção a porta. Eu estava apavorada com toda essa historia de Jorge com Karol, decidi sair do chuveiro o mais depressa possível.
Me enxuguei e sai de toalha e chinelos, porém levei uma surpresa ao chegar na cozinha.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA !!!!!!!!!!!!!!! - gritei, num dos maiores sustos que já levei na vida

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ela, Manuela - VI



Acordei no outro dia tocando já tocando a campainha do AP da Mari, as 9:15 da manhã. Cauã atendeu, com uma cara de sono do tamanho do mundo, de pijama.
- Que tipo de mulher é você que me faz dormir 1 da manhã e me acorda as 9? - Ele disse, com uma voz rouca e grossa, de quem realmente tinha ficado irritado pelo horário.
- Desculpe Sr. Coragem, mas quero falar com a sua irmã. Ela está? - eu disse.
- Um momento, morena inconsequente.
Mari finalmente veio atender a porta.
- Oi Manu. Desculpe o bobo do meu irmão. Tudo bem?
- Sim... será que você poderia me passar o endereço de um salão de beleza? Desculpe o horário, mas é que eu não posso esperar.
Mari não só me passou o endereço como foi comigo resolver a questão da minha franja e da droga da sobrancelha. Voltei pra casa e combinei com meu pai que teria, ao menos por essa semana, uma rotina que ele quer: trabalhar com ele na empresa de manhã e estudar administração a noite, conforme a matrícula. Mas deixei bem claro que caso eu não gostasse voltaria para França, como queria Jorge.
Ao longo dessa semana eu fui assistir Django Livre com o Cauã e com a Mari, acabei gostando do curso de verdade, gostava de trabalhar no escritório e fiz amigos na faculdade. Cauã e eu saíamos para tomar sorvete de morango todos os dias em que não estavamos brigados, o que acontecia frequentemente porque ele era grosso e muito sincero, na verdade quase terrorista com a sua sinceridade e a propósito, eu odiava aquela garota da sorveteria que ficava dando em cima dele. Jorge me ligava quase todos os dias, lá pelas 22 horas da noite. Faltando um dia para que ele viesse "me buscar" eu estava em desespero: finalmente tinha me achado no Rio de Janeiro. Ele me ligou no intervalo da faculdade enquanto eu conversava com as minhas novas amigas.
- Oi gata. Quero te perguntar uma coisa.
- Sim, pode dizer.
- Que tal ficarmos mais uma semana no Brasil? tem uma tia que minha mãe quer que eu vá visitar, sabe...
Acho que aquela era a desculpa mais esfarrapada do mundo todo. Mesmo assim, não pude conter o sorriso e a felicidade: descobri que eu não queria voltar.
- Ok, tudo bem, quer dizer, ah, que pena, mas não tem nada não, eu vou ficar bem aqui. - Disse, meio culpada por estar mentindo.

Um dia, saindo da empresa do meu pai começou a chover, e Cauã me deu uma "carona" no guarda-chuva dele.
- Sabe... eu não entendo porque você foge tanto de mim, morena. - Era o pavor da minha vida olhar para os lábios de Cauã, eles eram, sei lá... grossos demais. Enquanto ele falava, as vezes eu meio que me perdia no conteúdo daquele cara. Sincero a ponto de ser "terrorista", mas que mudou tantas coisas em mim.
- Quem sabe é porque quando você me vê está sempre tentando me dar lição de moral como se sua vida fosse perfeita e você não tivesse um só problema.
- Vou ignorar sua grosseria e sua futilidade. Não sei porque eu ainda perco meu tempo falando com um ser com mania de auto-destruição igual você.
- Vai começar? Me deixa molhar e vai na frente, garoto. Não to com paciência hoje.
- Do que você tem medo? - Ele me fez uma cara de quem estava aprontando, e eu me senti um tanto quanto desconfortável com aqueles olhos negros e aquela mão grande no meu ombro.
- Eu não tenho medo... - menti - só tenho que me comportar na ausência do meu namorado, sabe. E além do mais o que te importa?
- O problema é o Mauricinho então? Acho que ele não é o problema, sabe, Manu - ele piscou - seu medo é o mesmo que o meu.
- Quer dizer que você tem medo? - quis saber.
- Sim. Tenho medo de dar uma louca em mim e eu querer te beijar, aqui na chuva, sem mais nem menos. As vezes tenho medo por ficar pensando em você antes de ir me deitar.  Tenho medo de você ir embora... - ele suspirou - meu Deus, eu estou pedindo pra você ficar. O que deu em mim? Esquece. Esquece tudo, finge que eu não to aqui. Se não tivesse chovendo agora, eu sairia correndo com certeza.
Eu não sabia o que dizer. Um furacão de emoções passava por mim agora. Decidi não dizer nada, mas que droga, não consegui conter um sorriso bobo. Que droga, droga. E ele percebeu. E me deixou na porta do apartamento, sem dizer nada o resto da viagem.
Acho que estou ... (vamos lá, diga, Manuela, não é tão difícil assim)... acho que eu estou apaixonada. Mas que droga de vida.

Nota da blogueira: Desculpem não estar passando nos blogs como eu gostaria, nem postando coisas que eu gostaria. Tenho muita coisa pra contar, porém pouco tempo hábil. Estou trabalhando muito, porque estou cobrindo férias de outro funcionário, ou seja, não tá sobrando tempo nem pra respirar, quanto mais pra escrever posts, e os da historia já estão escritos. Espero que me entendam. Lamentando muito: a morte do vocalista do CBJR, Chorão, porque foi minha infância totaaaaaaaaal anos 90. Beijo e continuem por aqui, please :*

segunda-feira, 4 de março de 2013

Ela, Manuela - V


Jorge tinha me deixado um bilhete em cima da cama. "Te amo. Espero que consiga me perdoar, Jorge". Me troquei, mesmo que não fosse sair mais. Fui a sala, e meus pais estavam sentados com uma cara de ... você sabe, do tamanho do mundo. Sentei no sofá me sentindo em uma delegacia prestes a ser interrogada quando eles começaram:
- Temos uma coisa pra te contar.- minha mãe disse, meio pálida.
- Fala ué! vocês estão me deixando apavorada.
- Te matriculei na universidade. Não quero que você vá pra França. - Meu pai falou meio sem jeito.
- O QUE? - Eu disse, bem nervosa - VOCÊS ESTÃO DE BRINCADEIRA NÉ? QUANTOS ANOS VOCÊ ACHA QUE EU TENHO PAI?
- Não quero perder outra filha, me escuta Manu - Meu pai começou a chorar - Você não pode deixar eu e sua mãe aqui por causa daquele idiota, não tem mais nada que te segure naquele lugar, por favor...
Levantei e fui em direção a porta. Também estava chorando. Meu pai tentou me alcançar mais eu desci as escadas no apartamento correndo em direção a praia. Já era quase 23 horas. Eu tinha um monte de coisas na cabeça, mas não queria deixar meu pai mandar na minha vida desta forma. Eu não era mais criança.
Cansei de correr e sentei na areia. Meu rosto estava inchado e eu não conseguia parar de chorar. Era uma mistura de Karoline com Cláudio (meu pai) e todas as mágoas do mundo. De repente senti uma mão quente no meio ombro gelado... fiquei realmente com medo que fosse algum ladrão ou coisa parecida.
- Oi, morena. - Era Cauã, com um uma regata azul, um short preto de correr e um par de tênis. Limpei correndo minhas lágrimas, meio inutilmente, não dava pra negar que eu estava aos prantos. Droga de vida.
Ele sentou ao meu lado e tirou o celular do bolso.
- Oi dona Marta. Tudo bem? É o Cauã. Avise o seu Cláudio que eu estou com o anjo dele. - Esse era ele, falando com a minha mãe - Uhum.. é. Pode deixar que eu levo em segurança pra casa. Beijo, tchau. - Ele desligou o celular e olhou pra mim. Eu parecia um bebê chorão.- O que aconteceu, morena?
- Não quero mais seguir ordens. Eu queria voltar no tempo e ter dito que não, não queria ter ido pra França. Queria ter dito não pra Jorge. Queria ter dito não quando a Karol pediu pra irmos aquela hora buscar a droga do diploma que matou ela. E agora meu pai disse "estou te matriculando na faculdade aqui, sabe, foda-se o que você quer" e o que eu faço? saio correndo.
- E quer dizer não pro seu pai agora? - Cauã perguntou, meio sorrindo de canto. E francamente, aquela era uma boa pergunta.
- Não sei... Queria a Karol de volta. Na França ou em qualquer lugar do mundo... ela saberia o que fazer.
- E você não sabe? Será que você não sabe. morena? - Cauã olhou pra mim - Você não pode ser a sombra da sua irmã pra vida inteira, Manu. Você é forte, você é bonita. Eu acredito que você consiga tomar essa decisão. Além do mais, as aulas já começaram, dá tempo de você ir pra faculdade e escolher o que você quer.
Quer saber? Cauã tinha razão. Eu não podia ser mais a sombra da Karol. E não tinha nada de mais em ser indecisa.
- Vem, vamos comer alguma coisa. Você deve estar com fome.
Cauã e eu andamos até o quiosque. Lá ele me contou que gostava de The Beatles e rock clássico, mas que nós poderiamos escutar MPB se eu quisesse. Falamos do filme favorito dele, e ele me convidou pra assistir "Django Livre" qualquer dia. Eu perguntei a ele o que ele achava que era aquele molho que ficava no quiosque pra por no camarão e ele não sabia também, até que demos boas risadas juntos. Sei o que você está pensando. "O NAMORADO DESSA MENINA NEM SUBIU NO AVIÃO E ELA JÁ TÁ PAQUERANDO POR AI". É, eu também estou pensando nisso.
Cheguei em casa 00:48; Fiquei pensando nas coisas que o Cauã disse até cair no sono. Quer saber? ele tem razão. Preciso me reerguer, é agora ou nunca. A partir de agora serei a Anne H. depois da transformação, em "O diabo veste Prada". Chega.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Ela, Manuela - IV


Parte I
Parte II

Me aproximei de Jorge e cruzei os braços. Ele começou:
- Onde você vai com esse vestido? E quem é aquele neguinho? - Disse em tom arrogante.
- "Aquele neguinho" é irmão de uma amiga e você não está em condições de reclamar de nada no momento. Que tal começarmos falando da carioca que beijou seu lindo pescocinho, ontem? - falei, bem irônica.
- Ok. você tem razão. É que eu me mordo de ciúmes, não posso evitar - ele tentou pegar na minha mão, mas eu afastei- Olha, Manu... me desculpe. Mas você a muito tempo não se arruma mais pra mim, só fica olhando pro nada como se não quisesse conversar nunca e nem me elogia em nada mais. - Ele suspirou, e continuou - esperava um apoio seu, sabe. Qualquer um. Esperava que você me defendesse do seu pai ontem. Você não se importa com o que eu penso e nem sequer me beija! Não somos namorados. Somos conhecidos.
Apesar da cara de quem não se convenceu, sim, Jorge me convenceu. Eu fazia tudo daquilo mesmo. E fazia tempo que eu não me arrumava, e parecia um macho. E não beijava ele, sequer selinho.
- Eu entendo. Mas meu pai não vai aceitar você de volta... e eu também não sei se é isso que eu quero.
- Claro que você me quer, como assim? você me ama, é louca por mim. Olha, eu vou ao RS, ver meus pais. A gente adia a viagem para a França em uma semana, que tal? quando eu voltar, voltamos juntos! Você vai sentir minha falta, gata, você vai ver.
Meio que fiz que sim com a cabeça... sei lá.
- Quer que eu volte com você no AP pra pegar suas coisas?
- Não precisa, já fui lá e peguei. Olha aqui minhas malas... Comprei a passagem hoje de manhã e meu voo sai a noite. Vou até o hotel antes para tomar um banho e sair. Tchau, gatinha. A gente se vê. E vá embora, não fique enrolando aqui com esse povo esquisito.
Fiz que sim.
Voltei para sorveteria.
- Olha só o que o seu namorado almofadinha fez com seu sorvete... - Cauã apontou para o sorvete derretido - MOÇA! - e gritou para chamar a atendente da sorveteria.
- Sim, senhor? - a moça da sorveteria estava com cara de quem flertava com Cauã.
- Por favor... o namorado almofadinha da nossa amiga morena aqui, bem... ele fez o sorvete dela derreter. Traga um milk shake de morango pra ela, e dos grandes, pra ver se ela melhora essa cara linda.
- Ok, só um momentinho, fofo. - (sim ela queria o corpinho dele, dava pra ver).
- olha, meu namorado não é um almofadinha. A gente só tá passando por uma fase difícil.
- Pois bem. Eu acho que ele é. Na verdade, acho que ele tem cara de quem  vai trabalhar engravatado em um escritório, te deixando sozinha em uma sexta esperando em casa com uma linda lingerie, enquanto ele faz um happy hour com o amigos bêbados dele, ou pega a secretária em cima da mesa, ao lado do porta-retrato de vocês dois. - Ele disse rindo. - Mas se você acredita mesmo que ele não seja almofadinha...
- Não liga pra ele Manu, ele é um grosso e terrorista as vezes - Mari disse - Nunca se apaixonou por ninguém, por isso diz assim.
- Só estou sendo sincero. Acho você muito bonita para ficar se sujeitando a isso. Todo mundo viu, só não tem coragem de te falar. Eu tenho.
- Ok, senhor coragem. Acontece que eu sou uma tonta. Nós nem se beijamos direito. Eu nem me arrumo para vê lo. Esses dias ele estava lá em casa e achava que ia rolar alguma coisa, quando eu sai do banho de toalha, com a cara inchada de chorar e com os cabelos molhados horríveis. Ele disse "porque você não se arruma pra mim?" e está certo. Eu não tenho vontade de parecer uma namorada decente.
Cauã riu e balançou a cabeça negativamente. QUE ÓDIO QUE EU TINHA DAQUELE GESTO, ERA O MESMO DO MEU PAI.
- Porque está balançando a cabeça? - fiz uma cara de brava.
- Quem vê uma morena tão linda como você saindo do banho de toalha e diz que ela tem que se arrumar, pelo amor de Deus?
- Tenho que concordar com ele, Manu. Você é linda. - Mari disse.
Ficamos conversando até as 20 horas. Depois fomos para o AP. Quer dizer, cada um pro seu. Eu estava cansada e na minha mente queria tomar banho e ir dormir. Mas não foi bem o que aconteceu.
Nota: Finalmente terminei de escrever quase todos os capitulos, então venho aqui, uma passadinha rapida, posto, e assim até terminar a série. Tenho muita coisa pra postar, mas estou terminando algumas leituras pendentes, então a série está me dando uma "folguinha" pra passear pelos blogs e ler por ai. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ela, Manuela - III


Parte I
Parte II

A boa noticia: Jorge não morreu. A má noticia: Eu não sei onde ele está. Também não me importei em ligar. Mas meu pai disse que viu ele saindo do prédio pela janela ontem a noite, então, a probabilidade dele estar vivo é altíssima. 
- Vamos até o hall do prédio? quero que você conheça uns amigos do seu pai, eles são da sua idade.
Quem odeia quando sua mãe faz você conhecer pessoas novas? É tipo: "OLHA FILHA, TOMA UNS COLEGUINHAS PRA VOCÊ BRINCAR!"
- Que amigos, mãe? eu estou bem aqui com vocês.
- Mariana e seu irmão, o Cauã. Eles são nossos vizinhos e trabalham com seu pai. Você vai gostar deles. Além do mais, você só fica trancada dentro desse apartamento Não custa nada, Manuela, anda.
Mariana era alta, magra e branca, dos cabelos encaracolados até a cintura. Usava um short minusculo e uma blusa larga verde. Minha mãe nos apresentou e ela disse gentilmente que o irmão dela não pode vir, mas que aparecia depois pra tomarmos um sorvete.
- Porque está com essa roupa de frio, neste calor? - ela me questionou, me deixando totalmente envergonhada.
- Bom... eu não trouxe muitas roupas, na França não faz MUITO calor.
- Ótimo, vamos passar no meu ap, te empresto um vestido e vamos ao shopping. Eu te ajudo! 
Concordei. Afinal eu estava em uma fase muito "foda-se Jorge" e seria capaz de ir para o shopping de roupas de banho hoje se me desse na telha. Ela me emprestou um vestido azul, sem decote, com estampa de ancora, porém no meio das coxas. Era bonito, não estava vulgar e eu me senti bem nele. Tão bem que as roupas que escolhemos no shopping eram todas assim.
Ao final do passeio, fomos a sorveteria. Lá estava o tal do Cauã. Negro, alto, cabelo não muito crespo, barba por fazer. Se é que alguém que namora um idiota bêbado pode achar um homem bonito: sim. Ele era bonito. Percebi quantas coisas estavam erradas em mim: minha franja horrorosa, minha sobrancelha grossa demais, minha cara de ontem. 
- Boa tarde damas. Do que vão querer seu sorvete? - ele disse, sendo gentil.
- Morango! - respondi de prontidão.
- Morango. Hm. É o que eu mais gosto também. - Ele sorriu.
Mal comecei a tomar meu sorvete, quando ele virou e disse.
- Acho que tem um psicopata atrás de vocês, mas não olhe agora.
Fiz uma cara de assustada e teimei, virei para trás.
- EU DISSE PRA NÃO OLHAR. Ele veio seguindo vocês de lá de trás. Você conhece?
Sim. Eu conhecia. Era o tonto, loiro de olhos azuis que eu insistia em chamar de "namorado". Mas que merda. Estava parado na frente da sorveteria com cara de poucos amigos, me olhando com sangue nos olhos. Saí pra conversar com ele e finalmente perguntar "que merda você tem na cabeça?"

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ela, Manuela - II


Parte I
Meu pai me esperava no aeroporto, enquanto minha mãe e meu irmão vinham atrás fazendo uma cara de que "isso não vai prestar", logo que viram Jorge. Eu fiz uma cara de "eu sei" em resposta. Após os cumprimentos e o choro descontrolado do meu pai, seguimos conversando para o carro.
- Trouxe roupas o bastante, Manu? - minha mãe perguntou
- Mais do que deveria para uma semana mãe. As roupas que eu não consegui doar de Karol estão aqui, também. - eu disse, meio encabulada.
- Jorge, ajude meu pai e meu irmão com as malas, por favor. - Disse, envergonhada por ele estar de mãos vazias.
- Não tem porque, gata. Eles estão bem sozinhos, hahaahaa.
Meu pai balançou a cabeça negativamente. Igual quando eu não queria comer brócolis quando era pequena. O que vinha depois não era legal, geralmente. 
Logo quando chegamos começaram as brigas. Meu pai e eu costumávamos ir a Copacabana, comer camarão e tomar refrigerante em um quiosque. Jorge gritou que jamais colocaria os pés num quiosque. Meu pai então mandou ele se foder, e depois, arrependido, olhou com uma cara de "poxa... filha..." com uma mistura de culpa e "você não vai deixar de fazer nosso programa predileto né?". Eu fiquei naqueles 5 segundos sem saber o que dizer e resolvi: vou a praia com meus pais.
Jorge saiu bufando e foi almoçar sabe-se lá onde. Após ter passado por um grande inverno na frança, o calor do RJ estava me fazendo bem. Porém eu não tinha uma roupinha de calor, e pasmem, estava 43° no Rio. Acho que eu era a única pessoa de calça jeans no Rio de Janeiro inteiro. Ali  com meus pais, estava me sentindo em casa. Imaginava Karol ali com a gente, e também pensava em Jorge. Porque ele e meu pai não podiam se dar bem? Mas precisava ser forte, é obvio que meu pai estava muito pior que eu. Não fazia sentido eu me desesperar pela ausência de Karol e começar a chorar em cima do camarão.
Jorge ainda não voltou e agora são 18 hrs. Eu estou me sentindo Anne H., antes da transformação em "O diabo veste Prada". A franja enrolada, sem salto ou batom, sem perspectiva de vida ou um minimo de auto estima que toda mulher deve ter. A Karol sim, era uma fêmea graciosa: Os cabelos loiros avermelhados presos em um lindo rabo de cavalo, os lábios sempre vermelhos. Eu nem me lembro a ultima vez que usei um batom. Francamente, quem sou eu perto dela? Não tenho inveja, mais, eu seria uma perda bem menor que a perda dela. Eu sou um peso morto no mundo, provavelmente. Não aguento mais essa franja enrolada, esses lábios de Angelina Jolie anêmica (brancos e grossos). Aquela fração de segundos em que ela  (Karol) atravessou antes de mim a rua e foi atingida por um ônibus era muito ingrata.
A campainha tocou. Meu pai atendeu. Balançou a cabeça negativamente: esperei pelos gritos.
- ONDE ESSE IDIOTA ACHA QUE VAI ENTRAR COM ESSA PORRA NA MÃO? - meu pai disse, histérico.
Loiro, alto e com batom no colarinho, lá estava Jorge, meu idiota. Com uma Heineken na mão (que meu pai apelidou carinhosamente de porra). Fui até a porta evitar que meu namorado fosse morto pelo meu pai. 
- MANUELA, NÃO IMPORTA O QUE VOCÊ DIGA ESSE VAGABUNDO NÃO DORME NA MINHA CASA HOJE.
Peguei Jorge pelo braço e levei para fora do apartamento. 
-QUAL.SEU.PROBLEMA? - eu disse, nervosa.
- Nenhum gata, e o seu? - ele respondeu, bêbado, em soluços.
- Olha Jorge - dei 100$ na mão dele - Vá para um hotel. Hoje infelizmente, você não entra nem pintado de ouro.
Patético. TUDO. Provavelmente ele iria dormir com alguma carioca linda, que adoraria estar com um almofadinha bebendo Heineken e falando francês, diferente de mim, que só queria um pouco daquele Jorge carinhoso. E ela iria para cama com ele, enquanto ele elogiava como ela não parecia uma mendiga e suas sobrancelhas estavam feitas. Escutei Jorge caindo da escada. Pensei: "bebado tem sorte, não morre", e entrei. Não acredito que dei 100 reais para aquele cretino que eu chamo de namorado gastar com alguma vadia. Que ódio de mim.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ela, Manuela - I



Bom, eu escrevi essa série/livro/webnovela/conto quando eu tinha 14 nos. Achei jogado no meu quarto em meio a cadernos e folhas rascunhadas. Pensei que mereciam ser publicadas, então dei uma ajeitadinha nos erros/discordâncias/romancezinho piegas e resolvi postar. Sei não se vocês vão gostar, apenas digam se gostariam de saber a continuação ou não. É isso.

***
O vôo era longo e Jorge vinha ao meu lado. Reclamava da comida, do refrigerante (segundo ele estava sem gás), do ar condicionado (que pra ele era frio em excesso), do atendimento, de mim que estava parecendo uma mendiga enfim. Era a 1° vez que voltava ao Brasil após a perca de Karoline, minha irmã mais velha. Karol foi atropelada por um ônibus enquanto atravessávamos a rua, indo a universidade de Paris para estrangeiros, pegar nosso diploma. Sim, ela morreu prestes a realizar seu maior sonho: se formar no exterior. Um sonho só dela, não meu. Ela perdeu muito sangue e ficou um mês e vinte e quatro dias na UTI de um hospital. Não resistiu. Foram um mês, vinte e quatro dias e 2 horas de tortura. E agora, eu estava voltando para o Brasil, em busca de uma semana de descanso, de trégua. Mas Jorge vinha comigo.
Conheci Jorge em uma época muito vulnerável da minha vida. Ele também era brasileiro, só que do Rio Grande do Sul. Eu estava completando um curso que eu não gostava (turismo), tendo uma vida solitária sem pais num país que não era o meu e minha unica amiga era Karol. É muito difícil ser estrangeira, mas Karol tinha sei lá, nascido para aquilo. Meu namoro com Jorge deu um tempo quando ela foi atropelada: nesse um mês (quase dois), ele foi nos visitar no hospital uma unica vez. Acho que ele não gosta muito desses ambientes, afinal, ele não era mesmo meu amigo "pra momentos bons e ruins" e sim um cara, que provavelmente queria me beijar, e conseguiu, e viu que não iria me levar pra cama se não me pedisse em namoro, e agora estávamos nós: namorando. Patético. E não, ele não conseguiu o objetivo dele... afinal foi aí, depois de ter aceitado o pedido de namoro, que veio a UTI e a coisa toda.
- Manuela, quantas horas de tortura ainda faltam?
- Uma hora apenas. E se você não reclamasse tanto, ajudaria.
Eu só pensava em ver meus pais. Eles foram para França assim que aconteceu tudo, e voltaram assim que Karol faleceu. Eu esperava neles algum consolo. Alguma palavra de quem também está sofrendo, o silencio de Jorge sobre o assunto estava me sufocando. Eu precisava conversar, mas num país estranho, eu não tinha amigos... só Karol. As vezes dava vontade de "ligar" pra ela e conversar. 
Meu pai não gostou de cara do Jorge. Segundo ele os santos "não bateram". Ok. Meu pai nunca foi de gostar nem dos meus amiguinhos, quanto mais um namorado. A verdade é que Jorge estava se mostrando alguém muito ciumento. SUPER CIUMENTO. Antes de viajarmos, ele rasgou uma blusa minha porque disse que tinha um "decote de puta". Aquilo me deixou estressada. Nós mal nos conhecíamos  Estávamos namorando a dois meses, com um mês e vinte e quatro dias de pausa. Para evitar uma briga com ele, deixei que viajasse comigo. As vezes, quando estamos tristes, queremos evitar uma conversa, quanto mais uma briga! Ia ser difícil pro meu pai conviver com ele nessa uma semana. Mais seria importante para mim conhecer QUEM eu estava namorando, afinal de contas. A gente ainda não se conhecia. Pelo menos não no grosso, vocês sabem como são os homens quando querem "pegar" uma garota. Depois, eles mudam completamente... e eu estava agora, experimentando da "mudança" de Jorge, mesmo que ainda gostasse dele. Sim, eu gosto dele. O avião pousou.