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terça-feira, 30 de julho de 2013

Primeiros escritos de um homem XII

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- AIIIII
- Levanta dessa cama agora mesmo. Eu não criei filho meu pra ser bebum, não.
- Calma mãe, ainda são 8 horas.
- Dane-se. Anda levanta agora.
- AI, MÃE.

Acordei com cabada de vassoura nas costas, o melhor jeito possível. A dor de cabeça era terrível, além da dor no corpo e a vontade de vomitar. Mas pior que a ressaca física era ainda a ressaca moral.
A Maitê deve estar me odiando, agora. Eu estraguei tudo. E por mais que eu estivesse com um ódio imenso da Natália, chamei ela de vadia na frente da universidade toda! Vou ser reconhecido eternamente como o cara que trata as mulheres dessa forma.

- Onde já se viu? uma menina tão boazinha quanto a Maitê ter que trazer você bêbado pra casa.
- Ela me trouxe aqui é? - perguntei, jogando água no rosto e tentando andar sem cambalear, meio inutilmente.
- Sim. E ainda me ajudou a te dar banho. Que papelão ein? aposto que isso é influencia da piriguete que você namora.
- Não namoro mais, mãe.
- Mas que boa noticia. Vê se começa a concertar sua vida então. Liga pra Mai e se desculpa pela tragédia que aconteceu no carro dela ontem a noite. Seu irresponsável! - pausa para um sermão de 1 hora que eu levei da minha mãe e mais 2 horas do meu pai, que teve que ajudar Maitê a limpar vômito no carro dela as 2 da manhã. Acho que eles não sacaram que eu já tenho 20 anos.Acho que eu ainda não saquei.

Liguei pra Maitê o dia todo. Mandei mensagem no facebook, no celular, e até fiz um twitter pra mandar uma mensagem no twitter (e olha que eu nem tinha twitter). Ela não respondeu. Se eu conhecia ela, está com uma raiva imensa de mim. Até pensei que ela poderia estar com o cara que beijou ela na festa ontem, mas só de pensar nisso estremeci, e juro, se eu não tivesse um pingo de masculinidade e coragem tinha ido beber de novo.
Nos 20 anos inteiros que eu tinha nunca tinha passado por tal situação, constrangedora e sentindo nojo de mim mesmo. Acabei com o restante de dignidade que eu ainda tinha naquela festa e fiquei me sentindo um lixo. Resolvi então limpar meu quarto e jogar o restante que tinha de Natalia fora, afinal ela era a grande culpada de todas as minhas desgraças desde os 15 anos de idade, quando eu ainda achava ela bonitinha no ensino médio.
Precisava conversar, então liguei pro Leandro. Ele me contou com detalhes o que eu disse, e ficava rindo no telefone o tempo todo. Disse que eu pedi a Maitê em casamento e ficava o tempo todo falando que ia me matar se ela dormisse com o cara da festa. Ele disse que o tal do negão que beijou a Maitê é de Nova York, ex aluno da faculdade e que hoje mesmo ia voar de volta pra bem longe da mulher da minha vida. Ufa, respirei aliviado.
- O que faço agora, Leandro? - eu perguntei.
- Sei lá véi. A Maitê não vai te perdoar fácil. Cê sabe que ela é rancorosa, vingativa, ch... - eu interrompi:
- TA TÁ BOM LEANDRO. Definitivamente, preciso de amigos que saibam dar conselhos! - desliguei.
Eu estava decidido a conquistar Maitê. Não queria ficar em casa sentindo pena de mim mesmo e lamentando porque a perdi. Peguei meu carro e sai correndo até o apartamento dela. Passei na floricultura e comprei flores. Disse ao porteiro para não avisar que era uma surpresa, e como ele já me conhecia, achou que eu estivesse falando sério e autorizou minha subida. Corri pelas escadas do apartamento e toquei a campainha. Ninguém atendeu. Escutei uma música no interior do apartamento. Toquei de novo e fiz uma cara mas simpática pro olho mágico. Escutei os pésinhos graciosos dela passeando ao lado da porta, pelo lado de dentro. Toquei de novo.
- Sei que você está ai, Mai. Vamos conversar, por favor.
Ninguém respondeu.
- Olha, desculpe pelo que eu fiz ontem. Por favor vamos conversar?
Continuou-se o silêncio.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Primeiros escritos de um homem - XI

   
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Como disse pra vocês, eu nunca fiquei bêbado. Quer dizer, não até esta data. Fiquei tão bêbado que lembrava do beijo da Maitê com o negão cantor e chorava, chorava. O cara do bar até perguntou: "véi, se tá bem?" ai eu desabafei com ele uma historia imensa, estilo Reginaldo Rossi desabafando com o Garçom, e só escutava ele rindo. Acabei por mandar ele para casa do... bom, você sabe, e depois sai cambaleando pro fundão do salão, onde estavam Paula e Leandro. Me joguei no chão feito criança em supermercado e comecei a chorar, abri o berreiro mesmo, bem alto.
- O que você tem, Ju? - Paula falou, abaixando ao meu lado.
- EU QUERO A MAII - Continuei chorando
- Você tá bêbado - ela disse, morrendo de rir.
Leandro apontou pra mim e parecia um palhaço, rindo, chorando de rir. Me dei conta de como ele e ela eram perfeitos um pro outro, dois bobões alegres, Paula e Leandro, o que me deixou ainda mais deprimido. Eu continuei jogado, totalmente bêbado, chorando alto igual um bebê. Foi aí que ela apareceu. Maitê veio e abaixou ao meu lado.
- Que foi, Junior? - ela não tinha entendido que eu estava cheio de cachaça na cabeça, e ficou preocupada.
- EU QUERO VOCÊ MAI, FICA AQUI NÃO VAI EMBORA - Continuei chorando - LARGA AQUELE CARA MAI EU TE AMO
Leandro ria descontrolado, enquanto Maitê entendendo que eu estava muito bêbado, tentou me arrastar pro carro e me levar pra casa. Mas sabe como é, bêbado tira a força não sei da onde, então ficava puxando pelo braço, pedindo para ela deitar no chão comigo.
- TE AMO MAI
- shhh... para de gritar Junior, se acalma.
- DEITA AQUI NO CHÃO COMIGO MAI POR FAVOR
- cala a boca, seu maluco
Essas alturas a universidade toda já tava olhando pra mim e rindo, da situação e do vexame. Ai chegou Natalia. Empurrou a Maitê, bufando, odiando o fato dela estar conversando baixinho comigo abaixada, sem entender muito porque estava todo mundo olhando. Nem me toquei mas pensando bem, nada teria impedido Maitê de bater na cara dela. E do jeito que tinha o gênio forte, aquilo provavelmente passou perto de acontecer.
- O que está fazendo aí com essa piranha, Junior? - ela ficou meio histérica, daquele jeito folgadona que ela tinha e que a Maitê odiava. Meu ódio dela se manifestou e eu continuei chorando e gritando:
- SAI DAQUI SUA VADIA, SAI - Comecei a gritar mais alto - VAI LÁ FICAR COM O PLAYBOYZINHO DO CARRO, ANDA.
- Que isso amor? - ela corou e todo mundo que estava rindo ficou sério, talvez porque chamar a namorada de vadia não deve ser nada engraçado.
- AMOR É O CARAAMBA, SUA VADIA. EU NÃO TE AMO, EU AMO A MAITÊ. SAI DAQUIIIIIII, SAI DAQUI SAI SAI - comecei a gritar ainda mais. Teve gente que riu, uns ficaram sérios, o Leandro estava descontrolado, rindo igual um louco num show de comédia. A Paula, sendo a inimiga numero um da Natalia, ria até não poder mais. Os dois eram inconvenientes, e acabavam assustando o resto da faculdade que simplesmente estava achando a cena terrível.
Natalia ainda tentou falar alguma coisa, mas eu comecei a gritar e tapar os ouvidos e dizer "lalalala" igual uma criança de 7 anos. Maitê sussurrava no meu ouvido para eu calar a boca, mas nada adiantou. Foi tão patético que até os que estavam sérios começaram a rir de novo. Natalia saiu nervosa, marchando pro outro lado do salão, passando pela multidão em volta de mim.A humilhação foi maior pra ela do que pra mim, no fim das contas, afinal poucas pessoas viram ela me traindo, mas a faculdade inteira me viu xingando ela, bêbado.
Leandro ajudou Maitê a me arrastar pro carro dela, e ela foi dirigindo até a minha casa. Lembro de continuar chorando dentro do carro, e de Leandro filmando a cena no celular. A ultima  da noite foi ter vomitado no banco traseiro.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Primeiros escritos de um homem - X



Em toda a minha vida, meu único objetivo depois que parei de brincar de carrinho era fazer garotas felizes. A formatura do Leandro estava aí, a Natalia estava super empolgada para me mostrar para as "amigas" dela, e eu não queria que o termino fosse uma coisa traumática e sim, amigável. Por outro lado, pensava em Maitê tantas vezes no dia que sentia que se quisesse, poderia desenha-la, mesmo não tendo nenhum talento pra isso. A garota me roubava o sono e por vezes tomei calmantes para conseguir adormecer. Por fim, o dia da formatura chegou.
O salão estava todo decorado e tinha estudantes por todo lado: bêbados, patricinhas, nerds, todo mundo estava lá. A apresentação de Paula começou, e foi muito legal, mas pelo que eu entendi, Maitê só cantaria aquela noite mais tarde. Enquanto isso, nenhum sinal da Natalia. Mas ela avisou que ia se atrasar, logo não me alarmei. De repente me peguei pensando: e se a Maitê estiver falando sério? E se ela não me esperar mais? Esses "e se" me deixaram num momento de desespero, logo sai atrás da Natália. Queria uma conversa de término, aproveitar aquela coragem que veio não sei donde.
Procurei Natalia no bar, na pista de dança e nada. Fui achar a descarada no carro com um boyzinho, aos beijos. Sim, ela estava me traindo em plena festa da faculdade, comigo nela.
Mutipla escolha (de vestibular, porque essa é difícil): se sua namorada está te traindo em um carro num lugar lotado, você:
a) joga a vadia e o imbecil pra fora, fazendo questão que todo mundo saiba que você é corno com C maiusculo, terminando alí mesmo e dando vexame.
b) Chora, toma um porre, ou algo parecido.
c) Entra na festa de novo e vai ver a mina pelo qual está morrendo de amores cantar e dançar maravilhosamente bem, e tentar de uma vez por todas beijar a boca dela.
Quem respondeu "C", acertou. Quem aí sempre chuta C, nas provas? Demorei uns 5 segundos de reação olhando a cena, e percebi que as amigas dela notaram que eu tinha visto, mas deixei todo mundo lá e entrei no salão, de novo.
Lá estava ela. Linda. Os cabelos em cachos do jeito que eu gosto, um vestido preto ao meio das coxas (perto da minha lambida, por sinal), um sapato estilo gladiadora e um batom marrom.
As vezes ela se confundia com um sonho, dos que eu tenho quando fico acordado pensando nela. Mas sei que ela real: ela não é perfeita fisicamente, como as garotas dos sonhos. É apenas do jeito que eu gosto: morena, os olhos grandões, a boca grandona (sexy, na verdade), o nariz batatinha, o corpo sim era perfeito não tão estilo panicat quanto a minha (ex)namorada, mas delicado e sensual. Ela começou cantando uma espécie um troço agitadinho, não sei como se chama.
Quando, por infelicidade do destino, eu percebi que era um dueto. Um negão de dois metros pra mais, cantando com a MINHA garota, pegando na cintura da MINHA garota, chamando ela de "mamma" e outras coisas sensuais (pra falar a verdade eu não manjo nada de inglês, mas tenho certeza que boa coisa aquela letra não quer dizer). Ainda terminou beijando a mãozinha dela, linda, minha minha mãozinha.
Meu coração disparou, meu rosto corou de ciumes, minha raiva veio até minhas mãos e eu as fechei, pensando em socar aquele cara, mesmo ele sendo milhões de vezes mais forte do que eu, talvez até mais bonito, mas a minha raiva era tanta que eu nem liguei pra isso. Juro que se eu tivesse pensado um pouco menos (como no dia da lambida), eu tinha voado no palco em cima dele. Mas ai a selvageria passou e eu me concentrei em seguir com os olhos Maitê. Depois da música, eu os ví parados num canto conversando. Não consegui nem ao menos chegar a tempo: ele a beijou. Tomou ela nos braços e tacou-lhe um beijo, minha boca salivou de inveja e ciumes. Porque eu não terminei com a Natalia quando tive chance? burro, burro, que merda!
Só havia uma coisa sensata a fazer: encher a cara (dessa vez a correta era alternativa B). Acabei de perder a mulher da minha vida pra um cara muito melhor que eu, por causa de uma vadia que a essas alturas está fazendo sexo num carro de uma balada, mesmo sabendo que o namorado dela (eu) também está na mesma festa.
Pedi pro bar-man qualquer coisa que me derrubasse e me deixasse muito ruim, porque eu não entendo nada de bebida, a unica coisa que eu tomava com alcool era champagne, no ano novo, na casa da minha avó (é quando você precisa muito tomar um porre que você sente falta de ser baladeiro, porque não tomei mais champagne ano passado?). Bebi muito, o suficiente pra não lembrar nem meu primeiro nome: foi aí que a malvada me pegou. Quem aí já bebeu e deu vexame?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Primeiros escritos de um homem - VIII



- Mas agora eu vou ter que parar de estudar e morar com meus pais - Choro descontrolado e soluços - Por favor, amorzinho, não faz isso.
- Pensasse nisso antes de sentar no colo dos seus amigos.
- A gente não teve nada amor, foi só aquela vez, juro - mais choro, mais soluço - por favor você não pode fazer isso comigo, eu não vou deixar;
- Não te amo mais Natalia. Quero um tempo pra mim também. Entenda, não é você, sou eu. - aprendi essa num filme.
- Não....... por favor; vamos pro meu apartamento e a gente conversa
- Dessa vez não vamos, Nati. Dessa vez é muito sério.
Fui interrompido pelo meu celular. O toque acabou atrapalhando a discussão e dando tempo para Natalia secar as lagrimas que para mim eram de crocodilo. Era a mãe da Natalia.
- Oi ju, tudo bom? - ela estava com uma voz de choro que me deixou preocupado.
- Oi dona Olivia. O que aconteceu?
- A Natalia está aí com você filho? o celular dela não atende.
- Está sim. Quer falar com ela?
- Acho que você é melhor pra falar essas coisas do que eu... o pai dela faleceu, filho. Ele sofreu um acidente de carro. Vocês precisam vir pra cá.
Fiquei gelado e meu coração queria sair pela boca. Se tem um cara que esse tipo de coisa aconteceria, tinha que ser eu. Os pais da Natalia moravam no interior fazia alguns anos (já mencionei isso), e aquilo foi um choque. Não amava mais a Natalia. Mas mesmo assim, peguei na sua mão e disse que ia ficar com ela. Foi uma das situações mais difíceis da minha vida, ter que mentir que queria ficar com ela pra sempre; Prometi que íamos enfrentar isso juntos.
Fomos para a casa dos pais dela, acompanhamos o velório, o enterro, mas a Natalia queria vir embora já no terceiro dia, por isso começamos a brigar (não durou muito a fase triste depressiva da Natalia). De tanto que eu e sua mãe insistimos, ela acabou ficando até a missa de sétimo dia.
Depois brigamos porque eu queria que sua mãe fosse morar com ela, afinal é muito triste viver sozinha. Mas a Natalia não queria, o que me deixou muito bravo, e eu até disse coisas como "sou eu quem paga seu aluguel, então ela vai morar lá sim". Mas quanto a isso, não teve jeito, a mãe acabou se sentindo humilhada e decidiu ficar na casa que eram dos dois mesmo.
Perguntei a Natalia se ela queria que eu passasse uns dias com ela no apartamento, mas ela disse que não. Ela parecia estar mais revoltada do que antes, com a morte do pai. Me esnobava ainda mais e pedia constantemente para que eu fosse embora, porém não cogitava terminar. Eu sabia que aquilo era uma reação um tanto quanto comum conhecendo a Natalia. Estava em casa pensando na vida após a viagem quando a Maitê me ligou.
- Como ela está?
- Há... bem. Bem revoltada, mas bem. Já tá até marcando de sair com as amigas.
- E você, como está?
- Bom... está tudo bem com a minha família né. E o tapa não está doendo mais, obrigado por perguntar.
- Não Junior. Como está você? Deve estar cansado da viagem e cheio de caraminholas na cabeça por causa das fotos. E sobre o tapa, você mereceu.
- Não, não mereci. Nem era pra tanto, doeu muito. Provavelmente ela e o cara das fotos tiveram um caso.
- Larga de ser dramático - ela soltou uma risadinha - Provavelmente. E como vocês vão ficar? Vai aceitar sei lá, de boa?
- Sabe, quando não ficávamos ainda, ela vivia chorando por causa do ex dela. Era fofa, meiga, e sofria de verdade sabe? eu sei quando ela chora sentida e quando está fingindo. O pai dela MORREU, e ela não soltou uma lágrima . Não sei o que pensar da Natalia. Está muito díficil ficar com ela, mas eu prometi! Ela não é feminina sabe? O tempo todo quer encher a cara e ir pra balada, não tem objetivo nenhum na vida e leva tudo na brincadeira. Não foi com essa mulher que eu comecei a namorar. Não consigo mais lidar com isso. O que eu faço?
- Sou péssima pra dar conselhos. - Ela me fez rir.- Só acho que agora ela talvez precise de mais apoio. Mesmo eu não conseguindo ter nenhum sentimento de pena da sua namorada folgada. - Ela riu novamente - Mas você sabe que eu vou estar aqui, para o que der e vier.
- Eu sei. - Respondi. E fomos noite adentro conversando.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Primeiros escritos de um homem - VII




Voltei a vê-la com frequência  Ela cedeu , e acabou dizendo que também estava com saudades minhas, e eu acabei convencendo ela que não deveríamos perder a amizade por causa da Natalia. Maitê e seu espirito orgulhoso de "a Natalia não pode me dizer o que fazer!!!", claro que ela concordou sem muita argumentação.
Se havia uma coisa naquela garota que me fazia querer estar com ela era o cuidado que ela tinha comigo. Eu não estava acostumado com esse tipo de mimo, nem mesmo dos meus pais. As vezes eu estava triste por qualquer motivo, ia até o apartamento dela, ela me fazia um cappuccino e carinho na minha cabeça, falava abertamente sobre o assunto (apesar de dar péssimos conselhos), colocava um ótimo filme, e aí eu ficava bem. 
Listei aqui 4 defeitos da Maitê: 1) Respondona. 2) Desorganizada. 3) Vingativa (ainda não tirei da cabeça aquela dança maluca). E por ultimo mas não menos sensual: 4) Péssima em dar conselhos.
Acordei cedo e era um sábado. Recebi uma mensagem no celular, as 8 horas da manhã. O número era confidencial. Nela havia fotos e mais fotos, da minha então namorada (Natalia) sentada no colo de um imbecil, que eu nunca vi mais gordo, em um bar. Até um beijo no canto da boca tinha. O interessante é que as fotos eram em alta resolução, como se fossem tiradas com consentimento das partes, e não escondidinhas. Minha reação foi ligar pra ela, mas as 8 da manhã? ela nunca atenderia, e realmente não atendeu. Quebrei dois porta-retratos com a nossa foto, queimei 7 cartas, todas as camisas que ela me deu eu coloquei num saco de lixo e rasguei as folhas do meu caderno que ela escreveu. Meu ódio era tremendo. Chega, de Natalia, pensei. Meu orgulho estava ferido e eu estava me sentindo a pior criatura do universo.
Logo eu fui pro meu unico contato capaz de me fazer bem no mundo: a Maitê. Fui até o apartamento dela. Ela me recebeu com um pijaminha e carinha de sono. Eu estava nervoso e querendo quebrar metade do apartamento. Mas o cheiro de brigadeiro de panela as 9 da manhã me acalmou e eu sentei no sofá. Fiquei ouvindo os conselhos ruins da Maitê. Do tipo: "Podia ser pior, podiam ter colocado essa foto no facebook e estragar sua moral" e "Se dá mais valor". Aquelas babaquices que corno escuta. No caso, eu. Os conselhos dela eram ruins mesmo, mas ajudava ter alguém fora o Leandro com quem conversar. Mulheres devem saber melhor como lidar com mulheres.

Mas a questão é a seguinte: já aconteceu com você de em um momento impensado, fazer uma coisa muito louca e depois ficar pensando "QUE DEU EM MIM, SENHORRRRRRR?????????". Pois é, galera, fiz besteira. A garota estava lá, sentada na minha frente, normal:

- Meus pés estão doendo. - ela disse
- Também, fica sambando em cima daquele salto lá. - eu retruquei.
- Não é samba, bobo. 
- Eu não sei o que é aquilo, mas é legal. Daqui eles, vou fazer massagem.
Ela pos na minha mão aqueles pésinhos. Pequenos, lindos, cada qual do mesmo tamanho da minha mão, com as unhas pintadas de rosa e uma correntinha de tornozelo. Elogiou minha massagem, disse que eu mandava bem, o que modéstia a parte, era verdade, fiz um curso pra massagista a alguns anos. Eu pedi uma colherada do brigadeiro dela. Foi aí que aconteceu.

Ela caprichou na colherada de brigadeiro e foi fazendo a rota até a minha boca. A colher passou pela sua camiseta, sobrevoou sua barriga, o short dela, mas então, por um descuido daqueles dedinhos, um pouquinho antes do joelho, 50% do meu brigadeiro escorregou do metal. E foi caindo, caindo, caindo, até que atingiu as coxas, como eu disse, quase o joelho dela. 
Eu nem pensei, gente. Nem pensei um segundinho, pois se eu tivesse pensado, aquilo não teria acontecido. Fiz a rota até a perna dela, e lambi o chocolate. Isso, foi isso. Não sei o que me deu. Lambi não só o chocolate quanto a coxa que estava embaixo dele. Durou uns 5 segundos a lambida. Fiquei até feliz porque ela não me parou de imediato, ela acompanhou o que eu fiz e assim se passaram os segundos de reação, e depois os de termino. 
Ela colocou a colher dentro da panela e se pôs a me olhar, incrédula,  não acreditando. Uma situação ridícula  eu corei de imediato e olhei com cara de "não sei porque fiz isso". Já tinha pensado em fingir que nada aconteceu quando a mão dela pegou impulso e esbofeteou minha cara. CARA, ISSO DÓI. Gritei no susto (e de dor também) mas não reagi. Parecíamos dois bocós, sentados no sofá, um esbofeteado e a outra lambida, sem se mexer. Uns 10 segundos de silencio com um olhando pro outro, sem dizer nada, incrédulos  sem entender como aquilo foi acontecer, do nada, uma situação simplesmente patética, com cara de impaciência e medo, talvez um pouco de excitação, mas bem mais de medo.
- Você é maluco? Tem que ir embora! - ela quebrou o silencio, por fim. Senti que ela ficou com um pouco de medo de mim. Me odiei por isso.
- Finge que isso não aconteceu. Deixa isso pra lá.
- Como deixa isso pra lá? Você me lambeu cara. Não, cara. Vai embora, sério. Olha só pra isso, você está me lambendo. O que vai vir depois? - Dava pra perceber o quanto Maitê tinha ficado nervosa com a situação, pois o vocabulário dela era ótimo e ela estava gaguejando e repetindo palavras mais do que o normal (até parecia o Leandro).
Percebi o quanto ela tinha razão e virei as costas. Fechei a porta do apartamento e sai andando em direção a casa do Leandro. Ainda estava meio bobo, como quando você toma uma anestesia e fica drog.

- VOCÊ LAMBEU A GAROTA, CARA? - Leandro perguntou totalmente besta com o que eu fiz. Mas a verdade é que até eu estava totalmente besta.
- É véi. Não sei o que me deu. Tá ardendo meu rosto pra caramba.Ela bate forte, sabia?
- O QUE EXATAMENTE DEU EM VOCÊ, CARA??
- Não sei véi, quando vi já estava feito. - eu respondi.
- Tá gostando dela né?
- Tô não cara.
- Lambeu ela cara, tá sim.
- Tô não cara.
- Você tá.
- É, talvez um pouc...
- Talvez não véi, cê tá.
- É, eu tô. Mas que merda!

Só havia uma coisa sensata a fazer: terminar com a Natalia.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Primeiros escritos de um homem - VI



Segunda-feira e eu não vi Maitê ainda. Me perdoem a sinceridade e o palavrão mas PUTA QUE PARIU, QUE SAUDADE. O cheiro de cereja dela está em todas as minhas roupas. No domingo minha mãe fez bolo de cereja. Hoje a Natalia passou gloss de cereja pra me beijar. Até tú, Brutos?
Não tem ninguém pra conversar, Paula e Leandro só se pegam na minha frente, e a Natália até tentou me animar, fazendo um péssimo brigadeiro de panela, mas eu tenho saudade do da Maitê, que parecia até ser mais doce. Simplesmente levantei do sofá e disse a ela que não estava doce o bastante, então ela largou essa de brigadeiro e tá bebendo umas latinhas. Nem minha estadia no AP dela no fim de semana me animou (pelo menos não por mais de 30 minutos).
O Leandro disse que isso é normal, essa coisa de sua namorada proibir você de falar com uma amiga e você sentir saudades dela. Liguei pra ele, após o episódio do brigadeiro. Ele disse que a Paula já fez isso um bocado. Como já era de se esperar a Natália me deixou mais um intervalo sozinho, na segunda, e a Maitê nem está tocando aqui na área verde. Só uma bandinha chata de pagode.
Tô aqui pensando então onde foi que eu errei nessa, afinal a Maitê era só alguém pra passar o tempo enquanto a Natália não queria nada comigo e de repente, pumba! ela vira uma amiga essencial a qual eu não consigo, simplesmente, deixar de conversar e partir pra próxima. Como se minha vida fosse dividida em AM/DM (antes da Maitê, depois da Maitê) e simplesmente não dava pra voltar em AM porque você tá sentindo falta do DM. Fiquei aqui revisando os fatos, lembrando dela cantando Amy Winehouse num barzinho onde estava se apresentando um dia desses, com aquele vestidinho rodado de sempre, os cachinhos, o rostinho angelical que nós sabemos que é quase-todo fingido.
Terça-feira e ainda nada. No facebook dela nenhuma atualização. Nenhuma ligação me chamando pra comer brigadeiro de panela. Nada, nada de Maitê. Bolei um plano de ir até a sala dela e fingir que estava procurando a Natalia, só para ver sei lá, se ela está bem. Mas ele falhou quando a Natalia me viu antes de chegar na sala, e me arrastou pra longe do meu objetivo.
Sendo sincero, eu estou numa crise existêncial danada. Tô me achando um lixo de homem, sem palavra nenhuma! Quer saber? eu sou um péssimo pagador de promessas. Não as cumpro. O cheiro de cereja do bolo da minha mãe é diferente do cheiro de cereja do pescoço dela. E eu quero sentir o cheiro daquele pescoço. Agora!
Era quarta-feira quando eu liguei pra ela, pouco antes de ir pra faculdade.
- Alô?
- Oi, quer ir no meu carro pra faculdade e economizar gasolina?
- A proposta é atraente mas... não. Vou de onibus hoje.- Ela disse.
- Por favor?
- Prometi pra mim mesma que a gente não ia mais se ver, Junior.
- Por favor?
- Não é não, cara.
- Nem mais um brigadeiro de panela, no fim de semana? a Natalia não precisa nem saber... - choraminguei.
- Lamento, Junior. Mas não.
Ela desligou. A Natalia tinha razão, ela é muito maldosa. Quem essa garota pensa que é, afinal? primeiro ela vira minha amiga e tudo, ai fica tentando me conquistar com o jeitinho meigo dela, exalando cereja por ai, aposto que ela já sabia que eu gosto de cerejas. É, ela fez de proposito. Ai depois fica dançando sensualmente, aponta o dedinho gracioso tocador de violão dela pra mim, e quando vê que fisgou diz: "lamento, Junior, mas não". Joguei o celular no console do carro e disse pra mim mesmo: chega Junior. Chega de Maitê. Elas não podem mandar na tua vida assim, Junior! Chega de Maitê, de Natalia, você vai ficar sozinho. Quem precisa delas?
Meu celular tocou uma vez. Não atendi. Tocou de novo. Curioso olhei quem era: Maitê. Tocou de novo.
- O que você quer? - eu atendi.
- O ônibus quebrou e eu vou chegar atrasada em uma aula importante...
- E dai?
- Será que dá pra me pegar aqui?
- É que...
- Por favor... - maldita voz sensual, que ela tinha.
- Chego ai em cinco minutos.
É. Eu sou um péssimo pagador de promessas.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Primeiros escritos de um homem, V



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Ferrou tudo, galera. A Natalia descobriu do show, das minhas idas ao apartamento da Maitê e do cinema. Uma amiga dela me viu no cinema e disse a ela, e minha tia sempre faz cagada, colocou fotos do show no facebook, e lá estavamos eu e Maitê. Eu pedi perdão milhões de vezes, mas ela disse que só sussega quando falar com a Mai. E pra minha infelicidade ela resolveu usar uma ferramenta bem legal, pra todo mundo ficar sabendo: o facebook.

Natalia Ferraz:
Olha aqui, você se faz de santa mais eu to vendo você provocando meu namorado. Se não quer que eu enfie a mão na sua cara acho melhor você se afastar dele, tá queridinha.

AI. MEU. DEUS. Minha cara ao ler isso é a mesma cara que você faz quando descobre que seu amigo ainda acredita em papai noel aos 15 anos de idade. Fiquei igual bobo atualizando a página no facebook, das 9 da manhã do sábado até as 11. Ia ter uma festa a noite na faculdade, e adivinha quem tinha prometido ir na apresentação da Maitê? eu. Já tinha chamado minha familia inteira pra ver. Sorte que a Natalia também vai nessa festa, eu acabei convencendo ela, e ela nem sonha que vai ter essa apresentação. Mas gostava muito da Maitê e não queria que ela ficasse chateada comigo.
Bom, por fim ela respondeu, estranhamente. Ela foi como sempre, bem Maitê: monossilabica e grossa, enigmática e aquela imensa habilidade de te deixar constrangido:

Maitê Ventura:
Flor, eu ainda não o provoquei, mas quando eu provocar, VOCÊ VAI saber. 

Cara, que menina sinistra. Sempre dando umas respostas que te deixam de queixo caído. Daí todo mundo fez a maior zona nos comentários, o pessoal da faculdade todos já apostaram no barraco que ia ter na festa, a Natalia xingando ela de tudo quanto é nome, mas a Maitê nem voltou lá pra responder. Pensei em falar com ela a noite, e não tentar falar pelo facebook, afinal, vai que ela é grossa comigo também? Então me arrumei e fomos eu e minha família para a apresentação.
O que se segue poderia se chamar "proibido pra menores". Não se assustem, não há cenas de sexo explicito, só um quase. Uma dança esquisita. Vou tentar explicar: sentamos na mesa eu, minha mãe, meu pai, minha tia, meu tio, Natalia (do meu lado esquerdo) e Leandro, do meu lado direito. Ficamos esperando as apresentações, no caso, a entrada triunfal da Maitê e da Paula, que também ia se apresentar. Então chegou a hora: ela entrou. Linda. Eu nunca disse neste texto que uma mulher é "linda", mas Maitê estava linda. Os cabelos até a cintura postos em cachos, uma blusinha que deixava metade da barriga exposta, uma saia short preta que incrívelmente combinava com seu cabelo, um delineador puxado ao lado e um salto alto vermelho, que combinava com o batom. As mãos na cintura, deixando em evidencia a curva magnifica que ela possui naquele local, fazendo uma sombra sensual na parede branca atrás dela. Eu esperava por uma música da Madonna, que ela ensaiou a semana toda e eu acompanhei os ensaios. Incrívelmente, ela começou a cantar outra coisa. 
O nome da música era Dont'cha (o Leandro disse que isso era nomeado "Pussycat dolls"). Pra quem já conhece a música, uma informação é importante: A Natalia manja muito de inglês e entendeu o recado direitinho. Pra quem não conhece: Eu consegui reconhecer frases como "Você não queria que sua namorada fosse tão gostosa quanto eu?" e depois "tão atenciosa quanto eu?" e depois "não queria, baby?". Ela fazia movimentos relacionados a dança de rua, mas abaixava e levantava sensualmente, jogava os cabelos longos para o lado, fazia gestos com a boca e apontava pra mim, deixando bem claro que era comigo que ela estava "falando". 
As outras garotas pareciam meio perdidas na coreografia, como se não tivessem ensaiado direito (e de fato não haviam mesmo), e os marmanjos na platéia estavam loucos (alguns gritavam coisas horrendas). Leandro não parava de olhar pra mim e rir (sim, ele ria de tudo), enquanto eu fazia cara de quem estava passando mal, a risada escandalosa dele deixava a Natalia ainda mas furiosa ao meu lado, provavelmente o FDP já sabia dessa palhaçada e não me falou nada. Minha mãe nem se tocou, ficava aplaudindo de pé, a maior vergonha do mundo, todo mundo rindo na mesa enquanto a Natalia me enchia de cotoveladas.
Um recado para todos os homens: não sei qual a probabilidade de acontecer isso com vocês, mas, se por acaso um dia na sua vida você estiver do lado da sua namorada, e uma garota maravilhosa estiver dançando sensualmente enquanto aponta para você em cima de um palco (por vingança, provavelmente), tente não se apegar aos detalhes sordidos, exemplo "como a barriga dela é linda" ou "como será que ela faz isso?" ou então imaginar que ela está dançando SÓ pra você e outras coisas que os garotos imaginam, como "essa é uma boa hora para Deus me dar uma visão de raio-x". Muito menos soltem um "MEU DEUS" em voz alta. Caso o contrário, você pode levar uma cotovelada na barriga, e se tratando de garotas que passam horas na academia, como a minha namorada, vai doer, pode apostar. Listem aí um 3° defeito da Maitê: vingativa.
Só uma coisa a declarar sobre meu estado depois disso: mistura de raiva da Maitê (muita-raiva), porque minha barriga estava doendo de tanta cotovelada que eu levei da Natalia, e tontura, porque era de deixar qualquer um sem ar. Despistei a Natalia e sai em busca da Maitê pelos corredores.
- O que você fez? você é maluca garota?
- Do que está falando? - ainda por cima é cínica, mas que garotinha...FDP
- Você ensaiou outra musica, não se faça de sonsa.- Maitê ria e me deixava ainda mais nervoso- Porque fez aquilo?
- Avisa a sua namorada que eu consigo provocar melhor, se ela achar necessário. E que eu quero ver ela virar mulher e vir meter a mão na minha cara, já que ela adora falar isso no facebook.
- Você é ridicula.
Sai andando e deixei ela falando sozinha. Mas ai senti a mão dela me segurando pelo ombro.
- o que você quer?
- Desculpa. Você tem razão, eu não deveria ter provocado. - ela disse - sou muito impulsiva, não consegui controlar. Era isso ou bater na cara dela.
- É, não deveria ter feito isso. - eu respondi, com raiva.
- Olha, a Natalia está certa. Não devemos nos ver mais. Eu também não iria gostar se fosse comigo, eu ia odiar uma amiga do meu namorado assim. Desculpa qualquer coisa.
Ela virou as costas e saiu, e acho que se ligou que eu não gostei da "brincadeira". 
Porque a ultima palavra tem que ser delas sempre? Sinceramente, então é isso. Chega de Maitê, eu prometo. Mas que garota maluca, viu.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Primeiros escritos de um homem, IV



Quanto tempo a gente joga fora quando gosta de uma garota? Sim senhores, falo daquele tempinho que você chuta pra escanteio todos os seus amigos só pra ficar em casa esperando ela te ligar pra dizer que vocês não vão poder se ver de novo.
Esse tempinho é que não vai existir mais na minha vida. Simples, quando você chora abraçado com umas das piores inimigas da sua namorada (eu diria a 2° no ranking, e olha que as mulheres tem muitas inimigas), ao som de epitáfio num show do titãs (não me julguem por chorar num show, também chorei no do Metallica), você vê o quanto é bom fazer papel de ridículo saindo com os amigos, as vezes. Meus tios adoraram a Maitê. Falaram dela a semana toda e me ligaram pra perguntar como ela estava.
Portanto, eu namoro a Natalia mas, saímos eu e meus amigos, que eram basicamente Maitê, Leandro, Paula e outras garotas da sala de Maitê (os nomes eram Jéssica e Carol), também tinha contato com outros amigos do Leandro (Jefferson e Julio) enfim, saímos nós, eu e meus amigos. 
A construção de amizade com a Maitê foi algo bem engraçado. Primeiro você fala com a pessoa, depois ela compartilha gostos, depois vocês choram juntos num show e quando percebem já estão trocando abraços. Pode parecer clichê um nerd sem amigos, mas acho que eu era quase isso, antes deles. Não me lembro de ter abraçado outra pessoa a não ser Natalia e algumas garotas que eu levei pra cama. Agora eu entendo porque tantos garotos querem uma amizade feminina, sabe... mulheres tem um cheiro de fruta no pescoço, no caso da Maitê é cereja. As vezes tá meio frutas vermelhas em geral, mas a maior parte das vezes, é cereja. Paula também era uma garota legal. Conversávamos mais quando Leandro não estava por perto, porque os dois eram um grude danado, e viviam se pegando na minha frente(blé). Mas ela era inteligente, dava pra sacar porque Leandro e ela eram tão grudados.
Ah, a Natalia não descobriu, do show. Mas agora ela me vê falando com a Maitê e com a Paula, e deu uns barraquinhos no inicio, mas acabou aceitando. Sabe, ela tem medo que eu termine com ela. Quando eu falo em terminar ela fica apavorada, e as vezes eu até provoco para ver a cara de pânico que ela faz, assim me sinto mais amado. Deus me perdoe por isso. Esses dias a Natalia saiu pra beber e eu decidi ir até a casa da Maitê, a galera tava lá jogando vídeo game. Foi então que eu descobri o segundo defeito da moça: Além de mal encarada e respondona, a bichinha era totalmente desorganizada. A apartamento dela era uma zona, a pessoa vai e te fala "não repara a bagunça" e quando você entra não dá pra NÃO reparar.
Mas era uma bagunça até que amigável. Tudo cheirava a mulher que acabou de sair do banho (e cereja), tinha sapatos jogados pela cozinha e pela sala, estojinhos de maquiagem em cima da mesa de jantar e milhares de coisinhas pra prender o cabelo (não sei como se chamam) jogados no chão.
- Faz tempo que você não organiza isso aqui né? - eu perguntei
- É, um tempinho. Para de ser mal educado!- ela riu - tá infeliz, me ajuda arrumar então.
- Ok. Vamos fazer isso agora - e fizemos.

Depois da amizade com Maitê, Paula e Leandro, incrivelmente eu e Natalia começamos a nos dar melhor. Eu enchia menos o saco dela em relação a sair com os amigos, afinal agora eu tinha amigos para sair também. E também perdi um pouco dos ciumes (a maior parte dos homens não admitem o ciúme, eu sim).
- Você pretende se casar? - Maitê disse para mim, um dia desses. Eu quase cuspi o refrigerante que estava bebendo. Ela e suas perguntas que me deixam constrangido.
- Ué... terminar eu não pretendo, né? - eu respondi - bom, se você namora, não é para terminar, então talvez... 
- Para de enrolar, Junior - ela começou a rir. Aquela garota tinha uma risada gostosa, sabia? - Você ama, qual o problema de dizer que sim?
- Há, sei lá Maitê, mas que pergunta! - eu disse - a Natalia é legal,  me tem nas mãos dela, eu sei disso, eu gosto bastante dela, ela é segura, olha só o que ela faz comigo.- gaguejei, depois percebi que faltou virgula e que não tinha muito sentido, o que eu disse.
- Cara, sua namorada pode ser tudo, menos segura - ela disse, com calma - Ela enche a cara, fuma, tem um bocado de vícios porque ela é insegura demais, isso sim. Bom, meu gosto para o amor é diferente do seu. Eu gosto de damas, de cavalheiros, sou brega. 
- Hm, que princesinha você é - ironizei - mas você está certa. A Natalia não é segura, ela é frágil. E eu me sinto no dever de cuidar dela, fazer o que?
- Acho legal o amor que você tem por ela. Acho lindo! Bom, se ela está sabendo aproveitar os seus cuidados, não tem problema nenhum. - ela respondeu, em tom de bronca - só não vá perder a vida toda com uma pessoa que não quer melhorar, ein - por fim, ela terminou a discussão.
Ontem aconteceu uma coisa engraçada. Paula, Leandro, Maitê e eu íamos no cinema, com outros amigos. Mas a Natália me ligou 15 minutos antes de sair e me chamou pra ir no ap dela. Aquele momento que o ratinho que está rodando na rodinha do seu cérebro para de brincar e te olha freneticamente pra saber o que você vai responder e... desisti do AP e as felicidades momentâneas (muitas felicidades momentâneas  e fui ao cinema com eles. O filme era muito bom, e eu sabia que depois de me usar a Natalia ia me dispensar feito um cachorrinho, após o sexo. Eu estava tentando me libertar disso, sabe, sair com os amigos. Passar mais tempo com o Leandro e com a Paula me fez ver que existem relacionamentos legais, e que talvez o meu precisasse de um gelo da minha parte. Vamos ver no que vai dar.
Nota da blogueira:
Sei que prometi que seriam todas as terças, mas são sempre as mesmas pessoas que leem e eu to meio sem inspiração pra postar hoje. Então, divirtam-se.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Primeiros escritos de um homem , III

Para entender o que aconteceu no bar você terá que saber a cronologia dos fatos de quando eu descubro algo errado da Natalia:
1. Ela pede desculpa.
2. Eu não aceito
3. Ela pede por favor
4. Eu ameaço terminar
5. Ela me beija
6. Eu não resisto
7. Ela me leva pro apartamento dela e...
Acabou a discussão aí. Mulheres e suas artimanhas: o que eu posso fazer, afinal?
Agora estou sozinho mais um intervalo, pensando em que balada está minha namorada e ouvindo Maitê cantar Caetano Veloso, o que é meio ironico, uma garota canta todos os dias uma música alegre, mas quando você está na depressão ela resolve te afundar nos versos de "quando a gente gosta é claro que a gente cuida". Já reparou como parece que as músicas depressivas só tocam quando você está pensativo? Essa menina é maldosa mesmo, a Natalia tem razão de não gostar dela. Leandro e Paula sentaram ao meu lado, comendo Doritos e tomando uma coca.
- E ai cara - Leandro falou, cuspindo tempero de doritos por toda a minha cara.
- E ai.
- Que depressão, velho. Vai lá Paula, pede pra Maitê tocar algo mais agitadinho pro nosso amigo aqui, por favor. - Paula foi sussurrar no ouvido da cantora enquanto eu fiquei olhando a cena.
- De onde elas se conhecem? - eu quis saber.
- Dos bagulho de dança lá, que a paulinha faz. Lembra?- Leandro tinha um péssimo vocabulário.
Bom, a dança da Paula não é balé clássico ou salão. É um negócio tipo, do muito sensual, sabe? Ela dança com uns saltões altos estilo... Beyonce, Christina Aguilera e essas paradas(que eu não tenho ideia do nome). Não sei explicar porque também nunca aprendi a dançar, nem forrózinho nem nada, mas é uma especie de dança de salão, com dança de rua, de salto alto. Fiquei imaginando o quanto Maitê era inconsequente, porque além de tocar Rooling Stones tendo cara de Taylor Swift, ela dançava uma coisa sensual tendo cara de balé clássico.
- A Maitê tipo, canta e dança? - perguntei.
- É claro meu! Cê nunca viu uma apresentação aqui da faculdade, não? Você tá vivendo numa bolha, esses dias, cara.
Maitê era uma grande tagarela. Em meia hora de conversa descobri um monte de bandas que ela é fã, um monte de livros que ela leu e um tantão de programas que ela gosta. Quebrei as regras da Natalia, que disse para eu não falar com ela, sabe. Não achei que isso me fizesse mal, ela é só uma garota. Sim, ela canta e dança, e até me chamou pra ir no show do titãs na sexta. É claro que não vou, Natalia me esganaria se soubesse.
O problema de contar pra alguém que uma pessoa te convidou pra ir num show super foda, é que todo mundo fica com vontade. Eu acabei de soltar isso aqui em casa, e meus tios são tipo, super fãs dos caras. Agora eles estão me obrigando a ligar pra Maitê e perguntar quando vai rolar. Como a voz do povo é a voz de Deus, liguei pra ela e peguei as informações, vai ser amanhã a noite, e dá pra comprar os ingressos pela internet agora. O mais legal é: meus tios vão com a MAITÊ, a garota que eu conheci faz uma semana, e eu NÃO VOU. É, eu vou perder essa, galera. Mais um ponto pra Natalia.
- Oi amor! - esse sou eu, tentando arrumar algo pra fazer na sexta.
- Alô? ah, oi Junior. - essa é a Natalia.
- Sabe, eu tava pensando da gente sair amanhã a noite. Aqui em casa eu vou estar sozinho, todo mundo vai sair. Vamos pegar um cineminha?
- Sabe o que é amor... combinei com uma amiga de ir em uma baladinha com ela. Vamos com a gente?
É por isso que as pessoas quebram as regras sabia? Em uma prova de mutipla escolha, você tem a, b e c:
A) Ficar em casa comendo doritos
B) Ir pra uma balada (você não sabe dançar, nem bebe, nem usa drogas, e já tem namorada portanto não dá pra pegar ninguém, no máximo sua namorada bebada)
C) IR PRO SHOW DO TITÃS SUPER LEGAL COM UM PESSOAL SUPER LEGAL (sua namorada nunca pode descobrir).
É. Escolhi a C.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Primeiros escritos de um homem - II

Parte I
Deveria ser proibido isso cara, um filhinho de papai branquelinho tomando cerveja com a sua garota no bar. SUA, SUA, SUA GAROTA. Imagina a cena: passei o horário da primeira aula todinho sentado na frente da porra de um bar observando um filho da puta tomar cerveja com a MINHA garota. Fiquei aqui esperando um beijo ou alguma traição, e até agora nada. Não mudou o fato de que eu estou ardendo de ciumes. Mas que saco! Minha vontade é ficar aqui sentado até cair uma chuva bem forte e a enxurrada me levar pra minha casa. Tive a brilhante ideia por fim de ligar para o celular dela.
- Alô?
- Oi amor. Onde você tá?
- No bar com as meninas, fofo. - Ela respondeu docemente.
- Só com as meninas?
- Isso.
- Não tem homens ai?
Ela olhou para os lados do bar e eu me escondi atrás de uma arvore para que ela não me visse.
- Não, quer dizer, não comigo. Porque a pergunta? - ela desconfiou.
- Ok querida. Nos falamos depois.
Filha.da.puta. Nada mais a declarar. Aquilo era um bom motivo para que eu permanecesse lá vigiando, ou entrasse naquela espelunca e quebrasse todos os copos, ou arrebentasse a cara daquele nojento. Mas eu simplesmente entrei correndo, passei pelo corredor e cheguei na área verde. Só o que eu ouvi foram os últimos acordes de Let it Be. Era ela mesmo que eu queria.
- Oi.
- Oi. Pensei que veria você aqui.
- Bom, estou aqui agora. Que tal um sorvete?
- Hã?
- É, você quer sair pra tomar um sorvete? comigo? quer?
- Bom..er... combinei com uma amiga agora.
Já estava pronto pra implorar quando chegou "a amiga". Felizmente a "amiga" era a namorada do meu amigo, portanto, minha amiga também, Paula. Paula era a pior inimiga da Natália  simplesmente porque Paula jura que a Natália dava em cima do seu namorado, o Leandro, meu amigo. Leandro é um cara legal, e pelo o que ele me disse, Natália jogou mesmo umas conversinhas estranhas, mas não foi nada de explicito em que eu precisasse me preocupar. Então usei todo o poder de persuasão que eu tenho para arrastar as duas para a sorveteria. Paula gostava de açaí puro, já eu e Maitê pedimos leite condensado, banana, granola, xarope de guarana e calda de amora.
- A Panicat deixou você ficar aqui com a gente? - Paula sempre ironizando a minha namorada.
- Na verdade, ela está meio ocupada.
- Onde ela está? vocês não passam o intervalo juntos? - Maitê disse.
- No bar, com um carinha. Ela mentiu pra mim dizendo que estava com umas amigas, mas era um carinha, eu vi.
- Tá com a gente aqui pra passar ciumes nela né? - Paula disse. Ela é igualzinha ao Leandro, meu amigo e namorado dela. Sempre desconfiando das coisas.
- É.
- Sabia.
- Me chamou pra tomar sorvete pra passar ciumes na sua namorada? - Maitê disse.
- Bom, pelo menos eu to pagando a conta?
- Você é ridículo. Na boa. - acho que irritei Maitê. - Odeio que me usem para esse tipo de coisa.
- Eu sei que sou.
- Porque não falou com ela, oras?
- Porque ela ia saber que eu sei que ela estava com um carinha e não com uma menina.
- E...???
Garotinha insolente aquela. Conhecia ela a mais ou menos 2 dias e ela já tinha me deixado constrangido duas vezes. Mas as mulheres geralmente estão certas, vide pela minha mãe, então larguei o açaí e fui atrás de Natália, no bar.

terça-feira, 26 de março de 2013

Primeiros escritos de um homem.- I

Bom, essa é a minha nova web série. Não quero mais cansar vocês; Sabe como é, esse lance de postar todo dia até a web acabar é chato, só fiz aquilo aquela vez por que achei que por ser uma web mais antiga, seria melhor acabar com ela rapidinho. Essa vai ser aos poucos. É mais tranquilo assim, TODAS AS TERÇAS.. A historia será narrada por um homem, o que vai ser engraçado, porque vai ser uma mulher (eu) escrevendo como homem. Se tiver algum homem lendo isso, por favor faça criticas kkkkkk. Gostei bastante dos personagens e sei que vocês vão gostar deles também. Até amanhã (ou depois), mona.

Eu sou um cara boa pinta sabe. Moreno, alto, um cavanhaque maneiro e jeitão de nerd. Namoro a 3 anos. Apresento a vocês, a mulher que roubou esse troço que fica batendo no meu peito: Natalia. Loira, estatura baixa, um corpo bonito. Costumo dizer quando alguém me pergunta, que é uma mistura de Valeska Popozuda com Carolina Dieckman. Nos conhecemos no terceiro ano do ensino médio, e ela namorava um cara.
Sempre quando você maltrata uma garota, irmão, tem uns 3 querendo faze-la feliz. E foi assim que ela veio pra mim. Meio sem vontade, ainda gostando daquele otário, mas veio. 
Só que veio diferente. Aquela velha mania das garotas de sofrer por amor e resolver esnobar caras como eu. É, bem vindo ao mundo de quem gosta das Natalias da vida. Ela é baladeira, bebe, e agora deu até pra fumar nas horas vagas. Mesmo assim, eu a amo.
Em um ano e meio de namoro, o pai de natalia se mudou pro interior, com sua mãe. Por medo de perde-la, pago o aluguel para ela desde então, para que ela não se mude. Natalia nunca quis que morassemos juntos, ela diz que só depois de casar. Sexo acontece as vezes quando cabulamos aula na faculdade. Pago a metade do curso dela também, na verdade ela até tem dinheiro pra pagar tudo isso, mas pediu por favor, e eu não resisti. O dinheiro dela é gasto com Malboro, cerveja, roupas de pagodeira, mini-saia e chocolate.
Não nos vemos nos fins de semana. Minha mãe odeia a Natalia. Vive dizendo que ela me faz de idiota, e que todo fim de semana ela sai pra beber com os amigos. E ela sai mesmo, e como eu nao gosto de acompanha-la, fico em casa. As vezes busco ela na madrugada, na frente de alguma boate, mamada, falando nada com nada. Tá,você deve estar me achando um idiota. As vezes eu também acho. Mas só quem já cedeu a um encanto feminino pra saber como é. As pessoas acham que os homens não se apaixonam. Ok, talvez a gente não chore, nem fique pensando nela o tempo todo, mas nós temos um jeito todo especial, de se apaixonar. E eu estou apaixonado por ela.
Em geral eu gosto da faculdade. Mas passo o intervalo estudando, geralmente porque a Natalia está com as amigas fofocando ou no bar. Ontem eu decidi descer até a área verde, sempre tem alguém cantando um pagodinho que eu odeio, por isso quase nunca desço lá. Acontece que eu ouvi um acorde familiar no corredor. Depois uma melodia cada vez mais conhecida, e até que comecei a cantarolar junto "satisfaction" do Rooling Stones. Ultrapassei o corredor correndo e cantarolando, não acreditando ser possível e pensando "O que eu perdi?" e lá estava: uma mistura de Penelope Cruz com Paula Fernandes, meio anjo nada demonio, uma garota fofa cantando Satisfaction.
Garotas, eu não acredito em gente fofa cantando Satisfaction, me odeiem por isso. Aquela garota tinha cara de quem cantava Taylor Swift, dedilhando o violão graciosamente com unhas vermelhas, grandes demais para quem toca violão. Fiquei pensando em uma maneira de falar com ela, não é todo dia que você vê uma Penelope Cruz com Paula Fernandes tocando Rooling Stones. Surgiu então o velho diálogo de Adão e Eva, começando assim:
- Oi!
- Oi.
- Que tal tocar The Beatles?
- Estou indo embora, agora - ela ajeitou os cabelos atrás da orelha e começou a guardar o violão. O intervalo estava acabando.
- Mas você combina com The Beatles. Quer dizer, não todas as músicas, apenas as da fase "yeah yeah" e coisas como "hey jude" e "let it be".
- Nunca viu uma garota tocando Rooling Stones né? - ela pôs a mao na cintura, de uma forma engraçada, soltando um sorriso grandão.
- Não.
- Sabia.
- Estou me sentindo meio idiota com você olhando assim.
- Deveria mesmo.
- Você canta bem. Vai estar aqui amanhã?
- Sim.
- Estarei aqui.
- Tá.
Ela virou as costas e saiu. Mas que garotinha mal encarada. 
- Desgraçada fugiu de mim bem na hora que eu ia falar com ela - essa é a Natalia, baforando seu Malboro, cheirando a lavanda com cigarro e algumas latinhas.
- Quem?
- A Maitê. A garota que você tava aqui, batendo papo. Não fala com ela, ok?
- Você conhece a Penelop..ow, quer dizer, a Maitê? - Maitê era um bom nome para uma garota.
- Sim, Junior, é da minha sala, essa piranha. Se finge de santa mais de santa não tem nada.
- Também não gostei tanto dela.